Resenha de filme : ALEM DA ESCURIDÃO - STAR TREK

alemdaescuridao capaO filme tende ferozmente para o lado da ação, deixa muitos furos em matéria de roteiro e exatidão física e com certeza vai decepcionar profundamente os fãs antigos mais radicais.

 

 

Em um planeta alienígena, Kirk e McCoy fogem de uma tribo primitiva e Spock leva um dispositivo para dentro de um vulcão que está em vias de entrar em erupção. Os dois primeiros pulam de um penhasco para dentro de um oceano, aonde está submersa a nave Enterprise. Como os campos magnéticos estão causando interferência, os integrantes da nave não tem como teleportar Spock de volta. Abre-se neste momento uma discussão sobre sair com a nave de dentro do oceano para resgatar Spock e, com isso, quebrar a primeira diretiva ou respeitar a mesma e deixar Spock morrer quando o dispositivo for acionado. Kirk em um momento emocional decide resgatar Spock, decolando com a nave e teleportando o mesmo.

No planeta Terra, um integrante da federação está com a filha pequena internada no hospital, quando é abordado por um homem que lhe oferece uma solução para salvá-la. Após administrar na garotinha uma ampola com o liquido salvador, este mesmo homem vai para uma das construções, que mais tarde ficamos sabendo que é uma biblioteca, e ao jogar um anel dentro de um copo com água explode o local.

Kirk é rebaixado e perde o posto de capitão por causa do relatório de Spock sobre o ocorrido e o Spock é designado para outro comando. Ambos vão para uma reunião de emergência devido a explosão. Nesta reunião é identificado o suspeito da autoria do ataque como sendo um antigo integrante da federação chamado John Harrison. Kirk estava relatando uma teoria sobre a ideia por trás da explosão da biblioteca quando a reunião é atacada por este homem que acaba teleportando-se para outro planeta. Após as inúmeras mortes, Kirk recebe seu posto novamente, Spock volta a ser integrante de sua tripulação e eles recebem a missão de capturar Harrison, tendo que irem ao planeta Kronus, pertencente aos Klingons, para capturá-lo.

 

AVISO : spoilers a partir deste ponto.

 

Este é um daqueles filmes que vai agradar o publico dependendo do ponto de vista que ele esteja procurando em um filme.

O publico que vai procurando um filme de ação vai encontrar tiroteios, perseguições, combates espaciais, correrias, etc. O ritmo do filme é acelerado por estes momentos que aparecem constantemente durante todo o longa. Este publico vai sair feliz da sala de cinema. Diferente do que eram os filmes mais antigos, que até tinham ação mas de uma maneira mais moderada, este foi moldado visando esse gênero. O lado scifi ficou mais como coadjuvante.

Creio que os problemas vão começar com outro tipo de publico.

Uma das características que as series desta ambientação tinham, era a utilização de consultores para o uso de conceitos físicos, tanto é que a mesma era assistida por muitos estudantes e cientistas de universidades diversas e até por gente renomada na área de ciencia e na de tecnologia. E, no caso deste filme, eles ficarão com uma sensação incomoda ao assistir, considerando a questão cientifica real e também a questão da ciência da própria ambientação. Por exemplo, temos logo no inicio do filme, o uso de um dispositivo de fusão nuclear para interromper a erupção de um vulcão. Posteriormente, aparece um teleporte da Terra para o planeta Kronus e mais tarde, quando eles falam sobre a falta de operação do sistema de gravidade da nave e, logo após o anuncio o que ocorre? Pessoas caem, depois os atores correm pelas paredes... Acho que o conceito de gravidade não é mais o mesmo.

 

Para aqueles fãs mais radicais, este filme tem muitas referencias que identifiquei, mesmo eu não sendo um seguidor dos mais fieis das series. Deve existir muito mais, mas talvez o Chanceller Martok tenha mais facilidade de identificá-las do que eu. Há cenas muito parecidas com o filme A Ira de Khan por exemplo. O aparecimento do “pingo” de um dos episódios memoráveis da serie clássica, é outra coisa que se identifica com mais facilidade. Neste sentido houve uma preocupação da atual produção em ligar esta nova fase com a anterior, mas não sei se isso será o suficiente para despertar mais interesse no publico antigo. É mais provavel que não consigam realizar tal feito e o publico mais novo não reconheçam essas referencias.

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O roteiro possui umas escorregadas, como por exemplo, quando eles dizem que estão a mais de 270000 km de distancia da Terra e de repente sem mais nem menos, eles caem na mesma, sem uma indicação clara de como isso ocorreu. Fora o doutor falar que não entende como funciona as câmaras criogênicas e mais tarde, ele as usa como se fosse intimo das mesmas. A discussão sobre a primeira diretiva no inicio do filme também é meio sem nexo, uma vez que o próprio aparecimento dos integrantes já é por si só uma quebra da diretiva, logo a questão de aparecer ou não a nave não seria o foco quanto a isso. Outra coisa, a nave chega nas proximidades do planeta dos Klingons e ela fica lá bastante tempo e nada acontece, não há sequer um comunicado ou ameaça. Difícil acreditar nisso.

 

A caracterização dos personagens está interessante, mantendo um pouco das características mais antigas, porem considerando a sucessão de momentos em que o capitão Kirk assumiu posição completamente impulsiva, demonstrando que ele não tem frieza emocional para os momentos de pressão, me faz questionar que ele não seria apto a ser um capitão. Se os capitães de naves da frota estelar são deste jeito, a federação está realmente perdida. Outra coisa a se considerar, é a hierarquia dentro dos postos da nave. Uma vez que saiu o oficial de manutenção ( ou chefe de engenharia ) e existe abaixo dele uma quantidade grande de pessoas, quem é escolhido para substituí-lo? O piloto da nave... Aaaa... Tudo haver...

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Os pontos mais positivos deste filme ficam com a caracterização interna da Enterprise, que teve setores que demonstram as dimensões da mesma, também o aparecimento de uma quantidade grande da tripulação da nave que são secundários, incluindo diversos outros alienígenas. Os uniformes e demais cenários estão muito bem pensados. Os efeitos especiais estão muito caprichados e não decepcionam. Destaque para os torpedos são caracterizados com a aparência de torpedos realmente, o que gostei.

 

O filme acrescenta mais para a renovação da franquia do jeito que eles pretendem. Creio que vai agradar facilmente os que gostaram do filme anterior e daqueles que gostam de filmes de ação, mas sinto que vai enterrar de vez as esperanças do publico mais fiel em se aproximar das qualidades das series mais memoráveis.

 

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  • Guest - Bruno

    Ainda não consegui definir se o filme é bom ou não. Acredito que seja mais um daqueles fenômenos de Star Trek: seria um bom episódio de 1 hora na TV. Achei meio forçado refazer aquelas situações do filme ST 2. Em geral, o importante é notar que Star Trek no cinema pós JJ Abrahms é um filme de ação a la Star Wars dentro do universo Star Trek. A parte boa é que pelo menos é melhor do que o Star Wars 1, 2 e 3, o que me faz ter alguma esperança pela melhora dos novos filmes da franquia do Lucas (agora Disney).

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  • Guest - Chanceller Martok (Alexandro Paulo)

    Depois que o aspira foi promovido a coronel em 3 dias no primeiro filme, não tinha como esperar algo de diferente. Fui para o cinema completamente sem expectativas, por isso quando os créditos vieram eu tive aquela sensação de "é até que eu gostei". Mas aí eu sempre com essa minha mania de destrinchar o roteiro na cabeça, cheguei a conclusão que o segundo filme seguiu mesmos os passos do primeiro, ignorando vária as premissas da série e fazendo referência a termos e colocando personagens das séries antigas para mascarar isso.

    Acabei de comentar isso agora com um amigo. O problema não é ter mais ação ou perder a parte cerebral, o problema é que algumas premissas da série estão sendo ignoradas também e a estória está se baseando nas consequências disso pra funcionar.

    O filme já começa com Kirk e McCoy numa correria frenética. Ao que parece eles descobriram que uma civilização seria extinta por um vulcão e Kirk decidiu intervir. O velho dilema com a primeira diretriz.

    Ao que parece uma civilização antiga seria destruída pela erupção de um vulcão. Dessa cena eu tiro três perguntas que talvez vocês possam me ajudar a responder:

    1 - Porque Kirk e McCoy entraram em contato com os nativos, foram perguntar pra eles sobre o vulcão?

    2 - A nave auxiliar não era capaz de deixar a bomba cair no vulcão? Eles tinham mesmo que mandar o Spock lá? Não podiam ter o timer da bomba para incluir o tempo de queda? O teletransporte que tirou o Spock de lá não poderia ter sido usado para colocar a bomba lá, ou até mesmo lançar um torpedo da órbita?

    3 - E a última: Porque a Enterprise está no fundo do mar quando deveria estar em órbita? O objetivo não era evitar o contato com os nativos? Então eu levo a nave para dentro do planeta?

    Após isso vemos novamente que os roteiristas tem um sério problema em entender ou em respeitar a cadeia de comando. Se os filmes antigos já escorregavam nisso, os atuais transformaram no que podemos chamar de zona de comando. As pessoas sobem e descem como se a Frota Estelar fosse uma empresa da novela das 8, não importando nem o cargo nem o posto que elas ocupam. Kirk sobe de cadete a capitão no primeiro filme pra depois ser rebaixado a primeiro oficial, com direito a descartar o Spock pra outra nave? A Frota Estelar não é uma instituição militar? Pelo menos no meu tempo era!!

    Comentemos agora a cena da reunião, como é fácil conseguir uma nave fortemente armada e destruir prédios em plena capital da Federação, o roteirista deve achar que é fácil pra qualquer um entrar no quartél do exército americano roubar um helicóptero e disparar os misseis dele no Pentágono. O vilão roubou a nave, não foi perseguido, ninguém deu falta dela e depois de quase matar a todos ele consegue fugir usando um teletransporte que o leva a dezenas de anos luz de distância direto para a capital do Império Klingon. O teletransporte mal funciona da órbita, a viagem de nave da Terra a Quo'Nos leva vários dias e os roteiristas do filme me inventam um superteletransporte capaz de levar o vilão até lá.

    Depois de ver isso, nem fiz questão de prestar atenção em como fizeram para rastrea-lo e descobrir para onde ele foi, deixo essa pra vocês também. Por que aí as coisas pioram mais ainda, num ato de total insubordinação, e para enfatizar: gratuíta, Scotty deixa seu posto na nave e fica na Terra. Então Kirk tem uma idéia brilhante: "Checov assuma a engenharia, mude de uniforme para o vermelho." Então como um passe de mágica ele "aprende" engenharia ao mudar a camisa e assume a chefia daí mais perguntas:

    1 - O Scotty trabalha sozinho na engenharia? Ele não tem um segundo em comando para delegar o posto na falta dele ou quando ele assume a ponte?

    2 - Os roteristas estão achando que trabalhar na Frota Estelar é como fazer trabalho em grupo na escola ou na faculdade? Ou seja, um dos membros diz que não vai fazer ou faz corpo mole e isso é simplesmente esquecido? O que o Scotty fez cabe uma corte marcial com muito poucas chances de escapar.

    E como já era de se esperar, Checov se enrola na engenharia e a nave fica à deriva no espaço Klingon como uma desculpa esfarrapada para estarem ali, enquanto se transportam para a capital do império e se envolverem num tiroteio. Pessoal, não há a minima chance da Enterprise se aproximar do Imperio Klingon sem ser notada, muito menos entrar em seu território e se aproximar da capital e sua tripulação furtivamente entrar no planeta. A Enterprise por si só chama muita atenção e por isso haveria um alerta, ela estragaria qualquer disfarce.

    Então o vilão volta para a Enterprise com eles sem nenhuma dificuldade, então finalmente descobrimos quem ele é o que ele quer e quem começou a situação toda, com direito a cena gratuíta de lingerie, que em momento algum é importante pro roteiro funcionar. Nessas alturas você já pensou na frase "isso não pode ser sério mais de 50 vezes".

    Não vou contar o final aqui, até porque relembrar todos os absurdos que vi, tá me deixando triste. A única coisa que eu espero é que pelo menos esse filme sirva como uma semente para que várias pessoas procurem assistir Jornada nas Estrelas de verdade, ou seja, as séries antigas.

    O pessoal que se animou com o novo Star Wars aviso: podem botar as barbas de molho. Depois de tudo que eu disse acima, se eles não respeitaram as regras de Jornada, não terão pudor nenhum em não respeitar as regras de Star... não, Guerra nas Estrelas.

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  • Guest - Ogro (Creso)

    CHANCELER!!!!!!!!!!

    O filme é bom!

    Você pode reclamar o quanto quiser, mas o filme diverte, entusiasma e (talvez infelizmente pra você) deu novo fôlego à franquia!!!!
    Startrek, hoje, está vivo por causa desse reboot!!!!

    Agradeça o reboot, pois se não fosse feito... Startrek teria ido pro limbo... E somente aficionados como eu, assistiriam no NETFLIX a série clássica e Next Generation... (aficcionados como você compraram as séries citadas kkkkkkkk)

    Abraço do Ogro!

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  • Olha que eu não sou o único a achar isso. A resenha nem é minha. É até bom que outra pessoa tenha feito, denota que minha opinião sobre esse filme não é tão absurda quanto alguns acham.

    Os fãs de Star Wars, embora não seja isso que eu quero, vão sofrer a mesma coisa e vão saber do que eu estou falando. A mesma turma que fez esse novo Star Trek vai fazer os novos filmes de Star Wars, e eu estou esperando furos de roteiro e idéias ridículas comparáveis aos midi cloreans e ao transporte portátil pra outra galáxia desse filme. Na verdade eu preferiria que Star Trek estivesse como Babylon 5 esquecida porém especial e intácta. Acredito que você vai adorar quando fizerem um filme com o Sheridan Bad Boy na academia, pegando todas, jogando carros do precipício e sendo dado a ele o comando da estação ainda como um aspirante, e dando ordens à tenente comandante, equivalente a major, Ivanova. De repente, não né? Talvez eles à façam novinha também e eles formem um casalzinho.

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  • Guest - Ogro (Creso)

    Chanceler,

    Acho que não seria possível a turma do JJ fazer pior doque o próprio Lucas fez na nova trilogia....
    O pior que JJ pode fazer é colocar no filme uma vacina pra acabar com os poderes de um Jedi... Mas mesmo assim estaria dentro das possibilidades do universo... Pois essa porta foi aberta pelo próprio criador... Então ninguém pode reclamar...

    Abraços do Ogro!

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