Resenha de Westworld Primeira Temporada Segunda Parte

Pessoal, seguem minhas impressões após o desfecho da temporada, eu sei que deveria ter esperado mais para comentar, por isso, minha opinião mudou bastante. Confesso minha alegria em constatar que a minha primeira impressão estava errada!

O que motivou o meu texto anterior sobre a série, foi a preocupação com algumas sequências que achei redundantes e a maneira como a história se desenrolava para alguns personagens, muita espuma e muitas frases de efeito, fazendo referência a Lost. E a lembrança da série da ilha, somada a Bad Robot, que também foi produtora dela me fez crescer um temor que Westworld repetisse os seus erros. Que fariam cenas atrás de cenas aumentando os níveis dos mistérios e temporada a temporada fomentando expectativas, que se tornariam frustrações ao não sobrar tempo para fechar todas as pontas abertas.

Twin Peaks, aclamada série dos anos 90, revolucionou a maneira de fazer série na TV quando apresentou uma proposta de série onde cada episódio deixava de ser uma história fechada para ser capítulos de um arco principal. As histórias fechadas eram o modelo, por causa das reprises nos canais syndication, a ideia era que o expectador não precisava assistir na ordem para gostar da série. O sucesso de Twin Peaks e outras séries como Arquivo X, abriu as portas das produtoras para outro modelo. Os capítulos foram ficando cada vez mais dependentes com o passar dos anos, como em 24 horas. Até que os produtores de Lost resolveram trazer uma outra maneira de implementar esse modelo, além da dependência entre os episódios, a história passou a ser contada de forma não linear.

Uma história linear, nos traz os eventos e cenas em sequência onde os personagens principais vão descobrindo o que está acontecendo junto com o expectador. Geralmente ela vai se desenrolando do centro para a periferia, como uma bola de neve até chegar aos aspectos e mistérios principais. Numa história não linear, são mostradas cenas no presente, passado e futuro, muitas vezes o expectador acaba sabendo de coisas que os personagens principais não sabem, ou até coisas que eles já sabem e escondem dos demais. Nos dá uma outra perspectiva sobre o que está acontecendo, o grande erro de Lost foi não garantir que esses pedaços do quebra cabeças se encaixassem, que as cenas convergissem para uma mesma direção. Como não deu tempo de fechar todos os mistérios, muita coisa foi desperdiçada e credibilidade da série abalada. Além da frustração com as expectativas também teve a frustração com a perda de tempo. “Para que eu assisti os episódios 5 , 14 , 23 e 40 se eles não serviram para nada no final da série?”

Felizmente eu estava errado e a partir do episódio 7 a coisa para mim começou a convergir e tomar uma forma. A complexidade diminuiu muito quando percebi que no final das contas a história é não linear. A diferença para as demais é que em Westworld não há aviso algum que as cenas em muitos casos não acontecem na mesma época no tempo. A partir desse episódio, algumas coisas começaram a fazer sentido, os roteiristas resolveram explicar e dar um desfecho, um tema e uma motivação para a primeira temporada. O final é surpreendente, muitas reviravoltas e você termina com aquele gosto de “e agora o que vai acontecer?” sem aquela sensação de estar sendo enganado por uma teia de mistérios e perguntas sem resposta.

O único ponto contra que tenho, se não comentasse não seria eu, é em relação em como as armas funcionam. Não falei disso no primeiro texto porque achei te talvez explicassem, mas é estranho que ela dispare um projetil quando apontada para uma réplica humana, e finja que dispare quando apontada para um humano comum. Isso é bem claro nas seções de restauração das réplicas no laboratório, todos os dias os tecidos são reconstruídos após a retirada de vários projéteis pelo corpo. Se isso era para passar a impressão de que o parque tem medidas de segurança para os convidados, falha totalmente. O que mais vimos foram cenas onde os personagens que representam humanos reais participando de tiroteios. Como todos os personagens estão em movimento, fugindo, avançando, atacando e se protegendo, não há como garantir que uma arma apontada para uma réplica dispare um projétil que acabe acertando um humano. Nem vou mencionar o perigo das facas e das brigas de mãos limpas e com outros objetos que também podem ferir as pessoas.

Mesmo assim a série é sensacional, ela deve ser ótima de ver pela segunda vez, porque tem vários detalhes que você acha que não são importantes, ou que não percebe na hora, mas fazem muito sentido quando vê o final, a única outra série que me deixou com essa sensação foi Babylon 5 que também foi uma obra prima. E você já assistiu? O que achou comente!

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