Star Trek Discovery - Battle at the Binary Stars

Seguem minhas impressões sobre o segundo episódio. Novamente recomendo que só leia esse artigo, caso tenha assistido. E a bola de neve continua!

Desde a concepção e o lançamento da série Enterprise, sempre tive uma desconfiança em relação ao trabalho do Rick Berman. Junto com Brannon Braga eles eram os editores e produtores da maioria dos episódios das séries de Jornada nas Estrelas desde A Nova Geração(TNG), passando por Deep Space Nine(DS9) e Voyager(VOY) até terminar em Enterprise(ENT). Já em TNG começaram alguns problemas em relação a continuidade. Muita gente atribui o sucesso de DS9 ao afastamento dos dois para se dedicar à concepção de VOY que seria o carro chefe do canal da Paramount UPN, dando mais liberdade a Steven Berr, Ronald D. Moore e cia.

Enterprise começou com o claro indício de que estava furando as regras de propósito, pois na época podia dispor de vários escritores veteranos de Jornada que conheciam bem a série clássica e fizeram várias referências a ela em DS9. Mesmo depois que ENT teve a grande ajuda de Manny Coto, que a colocou nos trilhos sob o ponto de vista de acontecer antes de Kirk, a série de Archer abriu um precedente que Discovery agora parece querer explorar também.

Uma das controvérsias em ENT era a postura dos vulcanos. Eu também estranhei na época, mas conforme fui vendo e pensando no cenário e em tudo o que acontecia, cheguei à conclusão que a forma como agiam era totalmente plausível dado o contexto da série. Sem querer Berman e Braga acertaram nisso, quando em muitas outras coisas eles erraram.

Os vulcanos abraçaram a lógica e a supressão das emoções como filosofia de vida, para escapar de uma guerra que poderia ter acabado com a sociedade deles. Então por acaso eles tem um primeiro contato com os humanos que acabavam de sair de uma guerra que devastou o planeta Terra. Os adidos vulcanos percebem que esses humanos estão ávidos para explorar o espaço e vários problemas que causaram a terceira guerra ainda não foram resolvidos. De uma certa maneira os habitantes da Terra eram uma lembrança de como os vulcanos eram nos tempos antigos, o que naturalmente levaria a desconfiança por parte deles, de como aqueles novos exploradores afetariam o equilíbrio entre as raças naquela parte da galáxia.

E eles tinham razão! Para o bem ou para o mal, os humanos já na primeira temporada fizeram amigos e inimigos, gerando alguns incidentes diplomáticos com os vulcanos afetando as relações entre os dois povos, mesmo que isso tenha aberto as bases para que os humanos liderassem a fundação da Federação de Planetas. Esse contexto se encaixa no porquê de Sarek ter se oposto à entrada de Spock na Frota Estelar que causou uma ruptura na relação entre eles. E explicaria o porquê de ser chamado de humano ou ser lembrado de suas emoções era considerado como um insulto por Spock e os demais vulcanos. Em uma certa medida a raça vulcana não conseguia lidar com o fato de que os humanos emocionais, jovens e imperfeitos, tinham conseguido um sucesso diplomático que os seres longevos, de orelhas pontudas e sangue verde não conseguiram.

Então Discovery nos dá um Sarek “bonachão”, mentor de uma meio humana e meio vulcana, porque se os klingons sumiram há 100 anos e mataram os pais dela, deve ter mais longevidade do que qualquer humano com a aparência que Michael tem na pele da atriz Sonequa Martin-Green. Mas foram além, ele deu a ela parte de sua alma e tinha um apreço e um relacionamento com ela, que jamais teve com o seu próprio filho, que também era meio humano, descaracterizando completamente o personagem do embaixador vulcano. Outro aspecto, por mais que toda a série tenha sua fantasia, até nisso tem que haver um limite. O Katra e os poderes mentais vulcanos não devem ser tratados como os poderes Jedi são tratados. Jamais um Vulcano conseguiria se comunicar com outro a dezenas de anos luz de distância. Uma infeliz distorção das regras sem pensar nas consequências. Se isso fosse possível todo o seriado deveria ser repensado sob o ponto de vista de comunicação e toda a dificuldade que as mensagens tem em chegar ao seu destino dada a distância entre a origem e o destino, outra coisa que é sumariamente ignorada pelos produtores dessa série.

Já no início do segundo episódio, cai por terra a minha impressão de que o visual novo dos Klingons seria de uma etnia da raça deles. Ao usar aquele efeito de luz pra criar no público geral um clima de mistério, quando era na verdade uma simples mensagem aberta ou broadcast para todos os klingons, onde T'Vuma convoca os demais líderes do Império, demonstrando que para a série nova todos os klingons agora são daquele jeito.

Temos uma conferência dentro do território inimigo, via comunicação subespacial, para decidir se vão ou não apoiar a intensão de guerra sob a liderança de T’Vuma. Convenhamos, essa discussão deveria ser em Quo'Nos na câmara do Alto Conselho e não dentro do território inimigo. Se eles fossem derrotados, tudo pelo que lutaram acabaria ali. Por mais que eles cultuem a guerra, perpetuem sua reputação mostrando força e cometam alguns erros. Colocar os líderes numa batalha direta seria um erro grave demais até para os Klingons. Além disso, os klingons tem um governo feudal, onde os representantes das casas formam o Alto conselho. Cada um dos líderes estaria em seu território natal e não chegariam no território da Federação segundos depois de receberem o chamado. Nem vou comentar o quanto é esquisito que alguns tenham viajado até lá só pra saber o que T'Vuma queria, para depois darem as costas e ir embora.

Os produtores provavelmente se basearam na T´Pol de Enterprise para colocar Burnham sem passar pela academia da frota, bastando a indicação de Sarek, para depois de apenas sete anos ela se tornar primeira oficial. Entretanto, T'Pol nunca deixou de ser oficial da frota vulcana mesmo sendo segunda em comando de Archer. Ela era um adido militar numa concessão diplomática do governo da Terra. Mesmo que a Frota Estelar tenha o seu início, integrando as várias raças que ingressam, ela deveria ser uma oficial de carreira para usar aquele uniforme. Todos os outros personagens de todas as outras séries tiveram uma longa carreira até se tornarem de alta patente. Um outro comentário, o que aconteceu com a história de que Spock era o primeiro Vulcano a entrar na Frota Estelar?

Mesmo sendo formados para exploração, como o diálogo entre Michael Burnham e um tripulante na prisão deixa claro, após todas as experiências da tripulação de Archer, os oficiais da Frota são treinados para o caso de situações de combate. Não acho que a Capitão possa ser tão ingênua de invadir uma nave inimiga com apenas uma pessoa de escolta. No mínimo dois grupos de 5. Se o objetivo era capturar T'Vuma, um dos grupos iria atrás dele e o segundo ficaria na cobertura. Talvez isso tenha sido porque a morte da Capitão era um ponto importante para os roteiristas. Mas sob a ótica criativa, um grupo avançado melhor não impediria que ela morresse da mesma maneira.

Pelo menos alguma coisa que eu esperava aconteceu. Burnham foi condenada por motim. Obviamente os personagens podem errar, mas não posso deixar de mencionar que para alguém que os roteiristas se esforçaram muito para passar a imagem de prodígio, foi uma burrice sem tamanho agredir a Capitão ao invés de argumentar na ponte em frente a tripulação sobre seus pontos de vista, seguindo o protocolo e abalando a credibilidade da Capitão naquela situação e talvez assumir o comando. Assumindo que isso fosse plausível, uma frota klingon no quintal de casa de pois de 100 anos de ostracismo é um indício claro de suas intensões.

Ainda há mais pontos, mas acho que me estendi demais. Devo assistir o terceiro episódio que imagino que seja o desfecho do primeiro arco. E você assistiu? Comente!

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