Star Trek Discovery - The Vulcan Hello

Seguem minhas impressões sobre esse episódio. Não aconselho ler caso não tenha assistido. As espectativas que tive no trailer se confirmaram. Minha nossa! Depois de toda essa espera por Jornada na TV...

Voltando alguns anos no tempo, eu assisti o final de Deep Space Nine, ou DS9 para os íntimos, um pouco depois de ser exibida por aqui, não participei das discussões nos fóruns da vida, me afastei totalmente pra não ter nenhuma pista do que aconteceria. Quando fui ler, os assuntos já tinham esfriado e as pessoas se afastado, por isso não consegui discorrer sobre uma das controvérsias da época. O embate entre o chanceler Gowron e o General Martok.

DS9 ajuda muito a explicar a cultura klingon, em vários diálogos, principalmente através de Dax, o simbionte trill e Worf. Na exibição da derradeira temporada, muita gente achou a postura de Gowron, ridícula, que ele era um idiota e que a situação em si estava mal desenvolvida. Eu discordava disso, mas não tive oportunidade de falar na época e esse episódio de Discovery me remeteu ao assunto.

Quando o verdadeiro Martok foi resgatado do dominium, ele foi tratado com desdém e desconfiança e colocado em trabalhos menores. Não era nascido de família nobre, mas era brilhante como soldado e como comandante, a única maneira de ganhar notoriedade e ser reconhecido pela nobreza e pelo Alto Conselho. Durante a guerra que se seguia nos episódios, Martok se destacou e ganhou uma popularidade enorme entre as tropas. Sob o comando dele os Klingons obtiveram vitórias que não conseguiram sob o comando de Gowron, que se sentiu ameaçado politicamente. Aí é que começa a controvérsia que mencionei acima. Em minha opinião, como o chanceler não sabia que Martok na verdade lhe seria fiel, ele partiu para o contra ataque, o colocou em diversas missões com parcos recursos sabendo que Martok iria perder e talvez morrer. E quando percebeu que o general escapava do seu ardil, começou a deliberadamente tomar decisões esdrúxulas, afim de provocar Martok a desafia-lo.

Resolver num desafio de morte? Exatamente isso. Há inúmeros registros históricos e antropológicos de tribos reais que agiam assim. Desde a série original os klingons são retratados com uma civilização que vive para a guerra. Vários episódios retrataram alguns aspectos de formas diferentes que representariam as varias facetas conforme o momento da sociedade deles. Embora na Série clássica isso não foi retratado claramente, o desafio era um rito antigo que estava voltando a ser usado como forma de resolver as disputas. Sob o ponto de vista que tinham onde os fracos merecem morrer, e os fortes devem sobreviver. A estratégia de Gowron foi pautada na ideia de que a opinião pública o veria como mais forte caso ele matasse Martok num desafio entre os dois. O guerreiro que matar o guerreiro mais forte é o mais apto a liderar e como ele já era líder, ele tinha que induzir o General a lhe desafiar. Um modo diferente de fazer política, mas longe de ser incoerente com tudo que foi mostrado a cerca dos Klingons.

Dito isso, uma raça guerreira, onde tudo é feito pensando nisso, os grandes guerreiros são idolatrados e a reputação deles faz as demais raças tremerem, é natural que não produzam alguns recursos que são necessários, para que a sociedade deles mantenha o padrão de vida que mantém, porque vão conseguir isso tirando das raças que dominarem. Naturalmente sua necessidade de expansão também não vai parar. Que guerreiro vai ser idolatrado se não guerrear e trouxer os ganhos da guerra e as histórias das batalhas, que se tornam as óperas klingon? A opinião publica vai pressionar para que a cultura da guerra continue. Então é improvável que os klingons se imponham 100 anos de ostracismo tão profundo que a Federação nem ouça falar deles.

Alem da guerra há o mercantilismo, naves indo e vindo de todo o lugar vendendo, importando e exporando produtos. “Não vemos nenhum deles há 100 anos” pode funcionar no Game of Thrones por ser algo medieval, mas em Jornada nas Estrelas e especificamente para os klingons, não funciona.

Daí com a premissa do episódio caindo por terra, os outros furos pioram mais ainda a coisa. Mas vamos fazer um exercício aqui e tentar enxergar as mudanças visuais que os roteiristas fizeram, como uma nova etinia de klingons, e isso os levasse a agir diferente. Mesmo assim, ainda há outros aspectos difíceis de aceitar quando se coloca Discovery dentro do universo de Jornada nas Estrelas.

O sistema de camuflagem foi criado pelos Romulanos, conforme vimos em Balance of Terror da série clássica. Alem disso fica a pergunta: Se eu estou camuflado eu quero me esconder, então porque eu destruiria um satélite de comunicação pra chamar atenção?

Discovery se deveria se passar depois de Enterprise, a nave de Archer já tinha naves auxiliares. Porque a Discovery não tinha? Eu digo: Não tinha porque eles queriam que a primeira oficial fosse até a nave, pousase no casco e tivesse aquele embate desnecessário com o klingon. Novamente temos o problema com a premissa de se esconder. Se T'Kuvma queria manter um disfarce e adiar se revelar, porque não mandou um grupo capturar a mulher? A ideia de honra de guerreiro contra guerreiro não condiz com a ideia do disfarce, ainda mais quando um cara sai com o símbolo Klingon claramente impresso no uniforme.

Isso era para que a primeira oficial não tivesse nada alem da sua palavra para dizer que eram klingons. Porque o roteirista queria um motivo para que houvesse um conflito com a Capitão. E da maneira que se deu o motim a numero um tem que ser presa, e sofrer corte marcial. Nem numa empresa pública do Brasil, agressão física passaria impune, a Frota Estelar é uma instituição militar, e não um acampamento de escoteiros espaciais. Espero estar errado, mas eu tenho um palpite que no segundo episódio não vai acontecer nada e elas voltarão a ser amigas.

As tecnologias que as naves possuem estão muito avançadas em relação à série clássica. A primeira oficial foi curada de radiação como mágica. A roupa espacial tem computador exclusivo e todo aquele aparato no capacete. Nem a Voyager tinha comunicação por holograma mesmo lançada 100 anos depois de Kirk. De onde surgiu essa tecnologia? Como o holograma poderia interagir e se sentar num móvel do quarto real? Eu sei que era para imitar Star Wars, mas há coisas novas que se trazidas para o universo de Jornada nas Estrelas não vão se encaixar. Um dos elementos que criavam uma tensão durante as patrulhas na Zona Neutra, que um território na fronteira entre a Federação, Klingons e Romulanos, era que as mensagens mesmo prioritárias demoravam alguns dias para chegar à Frota Estelar nos tempos de Kirk, então uma nave em patrulha estava quase só. Isso demandava um cuidado especial e muita vigilância da tripulação para não cair numa armadilha.

Se os klingons planejam um ataque em larga escala, não mandariam uma nave, que chamaria outras, viriam com uma frota, não se esconderiam, fariam questão de mostrar que eram eles que estão vindo, da mesma forma que os nobres brandiam seus estandartes ao vento, nas batalhas medievais, eles esperavam que a sua reputação intimidasse os inimigos. Mesmo com a ideia de que esses klingons seriam de etinia diferente e que agiram de forma diferente, é estranho que tenham se escondido, quando o discurso de T'Kuvma diz o mesmo de sempre. Mesmo que pensemos que o líder estava só motivando as tropas e usando retórica, também não encaixa no fato dos Klingons terem destruído o satélite de propósito, e depois usaram um dispositivo de comunicação incomum, que alertou a galaxia inteira, sobre a posição deles e o que pretendiam fazer.

Me estranha também, o lorde klingon não conhecer todos os que entram na ponte da nave e o almirante da Frota não saber quem é a primeira oficial da Discovery. Assim que foram descobertos, imediatamente os klingons deveriam ter atacado.

Assim que puder, vou assistir aos demais episódios, estou esperando outras bombas. Talvez desista no caminho. Mais um desperdício. E eu reclamava de Enterprise!

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