Reescrevendo Star Trek XI: Capítulo 10 - A Razão

Olá pessoal! Demorou bastante, passei por uma fase sem muitas ideias, mas não desisti e podem ter certeza que vou terminar. Já iniciei o próximo capítulo, ainda tenho que tomar algumas decisões, mas está andando. Segue o décimo capítulo dessa saga. Para aqueles que iniciam a leitura agora, antes leiam os capítulos anteriores.

Introdução

Capítulo 1 - Os Laços

Capítulo 2 - O Encontro

Capítulo 3 - Causa Improvável

Capítulo 4 – Mais Variáveis Para a Equação

Capítulo 5 - A primeira Perda

Capítulo 6 - O Erro

Capítulo 7 - A Primeira Reação

Capítulo 8 - Vim recuperar o que me foi tomado

Capítulo 9 - A Emoção





 

Capítulo 10 - A Razão

Não era um salão comum, era enorme. Também não era uma festa comum. O grande astronauta estava fazendo aniversário e fez questão de convidar muita gente, o máximo que pode com toda a pompa que lhe era permitida pela Frota Estelar. Giacomo Mancini adorava festas. Era um italiano de meia idade, em torno de um metro e setenta, com os cabelos grisalhos quase brancos e trajava o uniforme de gala da Frota Estelar que mostrava a sua posição e suas comendas pelos serviços prestados. Junto com a sua esposa Editta, também italiana, de meia idade trajando um lindo vestido azul claro, ele recebia as pessoas na entrada do salão e fazia questão de cumprimentar todos os convidados que chegavam.

Os próximos da fila eram 3 pessoas que se dirigiram a cada um dos anfitriões que lhe tinham maior intimidade. Um casal de negros beirando 50 anos se aproxima e cumprimenta o grande astronauta.

- Senhor, feliz aniversário e muito obrigado pelo convite.

- Eu é que te agradeço por ter viajado todos esses parsecs até aqui Sibu. Seja bem vindo.

- Essa é minha esposa Galetea.

Uma moça se aproxima de Editta e lhe cumprimenta tocando cada uma a face da outra ao som de dois beijos no ar.

- Obrigado por ter vindo Amanda!

- Eu é que agradeço o convite. Muito bonita a sua festa.

Editta percebe que o casal que cumprimentava seu marido se vira para falar com ela.

- Espere só um minutinho.

- Essa é minha esposa Editta!

- Esse é o capitão Sibusiso Mokoena e sua esposa Galetea.

- Muito prazer! Sejam bem vindos.

Editta cumprimenta a ambos da mesma forma que fez com sua amiga.

- Aproveitem a festa!

Enquanto o casal entra no salão, a esposa do grande astronauta estende a mão a sua amiga para que cumprimente seu marido.

- Giacomo, essa é uma grande amiga, Amanda Grayson.

- Muito prazer em conhecê-la finalmente. Editta fala bastante de você. Esteja à vontade e divirta-se.

Amanda agradece com um sorriso e segue em direção ao salão onde ocorre a festa. Tudo muito lindo e arrumado. Reconhece algumas pessoas famosas e também passa por muitas que jamais vira. Sente-se um pouco deslocada, viera porque sua amiga insistiu muito. Já que estava ali tinha que tentar se divertir. Andava pelo salão com uma serenidade na expressão que escondia muito bem seu desconforto. Então algo lhe chamou atenção, sentiu-se observada. Com a máxima calma virou-se a tempo do seu olhar encontrar-se com um homem alto com cabelos bem pretos e bem aparados. Ele desviou seu olhar assim que percebeu que tinha sido pego. Não demonstrou nada na face e simplesmente afastou-se, mas ela tinha percebido o que houve e mesmo ficando surpresa com o que houve adorou o que tinha ocorrido.

Finalmente Editta veio encontrá-la após os cumprimentos. Sorria bastante e elas ficaram conversando durante um longo tempo. Apresentou-lhe várias pessoas, afastou-se algumas vezes para dar atenção aos outros convidados e voltava com outros assuntos e novidades. Até que um dado momento durante uma caminhada pelo salão, Amanda é levada para ser apresentada ao homem com quem trocara olhares no inicio da festa.

- Amanda, quero te apresentar o Embaixador Sarek.

Anos mais tarde Amanda observava seu filho que tinha a estatura de uma criança de cinco anos entrar num cômodo escuro adornado com vários símbolos religiosos. No meio uma pequena mesa em forma de losango, com duas velas, uma em cada ponta e um cordão com um grande pingente do símbolo da filosofia vulcana. A mãe observou o menino sentar-se no chão próximo à mesa de frente para um adulto que trajava uma túnica de monge que já se encontrava sentado. Ela deu as costas e saiu ouvindo uma última frase.

- Esse é o símbolo de nossa filosofia, infinita diversidade em infinitas combinações...

Ela anda pela casa e vai em direção ao marido que está lendo algo em seu escritório cheio de livros e pergaminhos dispostos em quase toda a área das paredes. Às vezes lhe parece que ele lê seus pensamentos.

- Já conversamos sobre isso. Fala Sarek num tom de voz e expressão serenas.

- Eu sei, mas ele é muito novo, deveria estar começando a estudar.

- Minha esposa, somos diferentes dos humanos, nossa longevidade maior nos permite mais tempo para nos prepararmos. Ele é meio humano, mas viverá mais tempo que qualquer um deles.

- Eu sempre fui muito introspectiva, fechada, mas mesmo eu tenho dificuldade de aceita-lo tão distante, mesmo estando fisicamente perto.

Sarek levanta-se de sua mesa e caminha em direção à sua esposa, parando de pé ao seu lado, e lançando-lhe um olhar terno, mantendo a expressão serena.

- É difícil para você, mas tem que entender que estamos fazendo o melhor para ele. Se quiser sobreviver, se quiser viver em nossa sociedade, antes precisa ter o controle de suas emoções.

- Sua família...

- Não Amanda, isso não tem nada a ver com a minha família. Tem a ver apenas com Spock, temos o dever como pais, de prepará-lo o melhor que pudermos. Nossa filosofia salvou nossa sociedade, ele pode tornar-se um exemplo para tantos outros.

Seu filho agora era um homem e para ela, era como um livro aberto. O que passaria como um pequeno desconforto na presença de outras pessoas, a mãe reconhecia como um profundo nervosismo. A pressa em calçar os sapatos e ajeitar a calça na cintura ao levantar, a respiração rápida e os olhos vivos olhando para o longe. Amanda está de pé vestida com uma túnica vulcana branca, com sua cabeça coberta por um capuz ao lado de uma grande janela de onde se tem uma ampla vista da capital vulcana. Ambos esperam pela audiência de Spock que decidirá sua entrada ou não na Academia Vulcana de Ciências. De repente quebrando o silêncio, estende os braços e chama o jovem vulcano com uma voz doce que ecoa pelo recinto.

- Spock, venha aqui deixe-me vê-lo.

- Não. Responde o filho olhando para o corredor por onde entrará em alguns momentos.

- Spock!

Ele vira-se e anda até a mãe que pousa as mãos uma em cada lado de sua face.

- Não precisa ficar ansioso, vai dar tudo certo.

Começa então a ajeitar a gola da blusa.

- Com certeza não estou ansioso mãe e dar certo é algo indefinido. Simplesmente dar certo é inaceitável.

- Tudo bem. Responde Amanda após um suspiro de resignação. Ele pega as duas mãos dela e as aperta levemente contra o peito, impedindo-a de continuar a ajeitar sua blusa.

- Posso fazer uma pergunta pessoal? Fala encarando-a nos olhos.

- Claro! Qualquer coisa! Responde num sorriso terno.

- Devo completar os ensinamentos do Kolinahr e expurgar todas as minhas emoções? Espero que você não ache que minha atitude é por desaprovar você de alguma maneira.

- Oh Spock. Como sempre, o que você escolher ser, vai me deixar uma mãe orgulhosa.

Finalmente entrou, era uma grande sala com vários tons de bege e marrom na decoração e na arquitetura, ao adentrá-la deparou-se com um amplo espaço circular vazio, cercado por palanques duas vezes o seu tamanho. Era para ser encarado pelo conselho de cima para baixo, uma das lembranças do quanto a raça vulcana ainda era orgulhosa. Ao lado do ministro, um vulcano de cabelos totalmente brancos vestido numa túnica escura, que presidia o conselho estava seu pai, todos o cumprimentaram assim que chegou e o líder começou a falar.

- Você ultrapassou as expectativas de seus instrutores. Seu registro final é sem falhas com uma exceção, percebi que você também se inscreveu na Frota Estelar.

- É lógico verificar outras opções.

- É lógico mas desnecessário, de forma que você foi aceito na Academia Vulcana de Ciências. – Responde o ministro. – É realmente notável Spock que você tenha realizado tanto, apesar da sua desvantagem.

- Todos de pé. Bradou o presidente do conselho. Spock o encarou fixamente.

- Pode esclarecer ministro? A que desvantagem está se referindo?

- À sua mãe humana. Respondeu o velho como se aquilo fosse uma clara constatação.

O jovem encarou seu pai por alguns momentos para depois olhar para os demais membros do conselho que de pé o fitavam. Só Amanda seria capaz de perceber a sutil irritação naquele olhar.

- Conselho, ministros, eu tenho que recusar.

- Jamais um vulcano recusou entrar para essa academia. Fala o presidente do conselho não conseguindo esconder a surpresa.

- Mas como eu sou meio humano, seu registro ficará incólume.

- Spock! Você fez um voto de viver à maneira vulcana. Finalmente Sarek quebra o silêncio numa voz e num semblante que até para os humanos demonstraria uma clara desaprovação.

- Por que você veio diante desse conselho hoje? Para satisfazer sua necessidade emocional de se rebelar? Fala o presidente do conselho num tom de provocação.

Spock assume o leve tom de ironia, presente em todas as discussões que teria com um humano, a quem um dia chamaria de amigo.

- A única emoção que quero transmitir é gratidão. Obrigado ministros pela consideração. Vida longa e próspera.

Vira-se e deixa todos na sala atônitos com sua decisão. Quem eles pensam que são?

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