Conto : ARMAS EM VENUS ( parte 01 )

mutant chronicles capaConto baseado no extinto RPG de origem sueca Mutant Chronicles. Um RPG que deu origem ao sofrível filme de mesmo nome ( façam um favor a vocês mesmos, esqueçam esse filme ).

 

 

 

 

 

 

ARMAS DE VENUS

 

Dentro de um escritório da Bauhaus no centro de Luna City, o esquadro deslizou sobre o papel e uma caneta nanquim cruzou de um lado para o outro traçando a ultima linha naquele papel. Hans Schult fechou a caneta com a tampa e a colocou no bolso. Olhando satisfeito para o seu trabalho, sentiu uma pontada de orgulho.

Finalmente terminou o projeto daquela arma que ocupou meses da sua vida entre cálculos e desenhos.

Esperou a tinta secar, enquanto guardou todos os materiais utilizados nos diversos compartimentos do móvel na sua sala.

Consultou o relógio e percebeu que passara do horário de trabalho e deveria ir embora o mais rápido possível, se fosse querer evitar o olhar enfurecido de sua esposa e uma possível noite dormindo no sofá da sala.

Enrolou rapidamente o papel e o colocou dentro de um tubo, fechando a tampa logo em seguida. Vestiu o paletó e colocou o tubo nas costas passando a alça pelo ombro direito. Saiu da sala trancando a mesma. Na ante sala do escritório, estava sentada a secretária Claudia Ross com suas longas pernas cruzadas expostas pelo vestido vermelho curto. Segurando com as pontas dos dedos uma lixa de unha que estava sendo freneticamente utilizada.

Ela soprava lentamente as unhas e as afastava para conferir o resultado de seu trabalho.

Hans mal olhou para aqueles cabelos loiros e grandes olhos azuis.

Senhorita Ross, feche tudo e pode tirar o dia de amanhã de folga. - Terminou a frase já na porta.

Sim senhor. - A resposta veio com voz melodiosa.

Ele desceu a escadaria para a garagem do prédio. A iluminação fraca do local não ajudava a ver com muitos detalhes os automóveis estacionados e ele teve que recordar de memória a posição de seu Schwarz Guepardem de dois lugares. Ele percorreu a extensão do local, passando por vários automóveis até chegar ao seu próprio. Abriu a porta com a chave que retirou do bolso, jogou o tubo no banco do carona e entrou fechando a porta. Deu partida no motor e acendeu os faróis iluminando a sua frente.

O motor V8 roncou forte dentro do capô daquele automóvel negro, quando ele pisou no acelerador e o carro avançou fazendo uma curva para a direita. As rodas travaram quando ele pisou rapidamente no freio. Ele bateu com o corpo no volante.

Mas o que é isso? - Ele gritou reagindo ao espanto.

No foco da luz estava parado o que parecia ser um mendigo. Alguém com um capuz cobrindo a cabeça e o corpo inteiro. Não era possível ver o rosto e somente estava visível uma das mãos que estava segurando o manto evitando que o mesmo se abrisse. Esta mão exposta era muito magra e tinha faixas semelhantes a ataduras muito encardidas, parecendo que não haviam sido trocadas há muito tempo.

Hans abaixou a janela e colocou o braço para fora inclinando a cabeça.

O que está fazendo? Saia da frente, eu estou com pressa!

O mendigo continuou parado a frente do automóvel. A mão exposta soltou o manto que abriu revelando um corpo feminino franzino cheio de ataduras encardidas. A outra mão se ergueu em direção de Hans e os dedos começaram a fechar como se estivessem apertando algo imaginário. Hans sentiu uma dor forte surgir no peito. Ele gritou e começou a se debater com as mãos em uma tentativa inútil de evitar a dor que estava sentindo. Seu coração começou a bater de maneira irregular, entrou em um estado de fibrilação e parou.

Hans debateu-se por mais poucos segundos e depois caiu morto, seu corpo saindo pela janela do carro.

A suposta mendiga foi até a porta do carro e abriu a mesma. O corpo caiu laterlamente no chão de concreto. Neste momento veio da escada do estacionamento, uma mulher de vestido vermelho.

Chegou no momento exato, Mora.

Como sempre, queridinha. - Disse a loira, parando fazendo pose.

A mulher de vestido, que antes tinha a forma conhecida como Claudia Ross, começou a mudar de aparência. Seus cabelos diminuíram de tamanho e seu corpo ficou mais robusto. Em segundos estava idêntica a Hans Schult, incluindo as roupas.

Já não aguentava mais esse cara. Passei esse tempo todo jogando charme e ele só pensava na idiota da esposa que não sai do apartamento dele. O que faço com ele, Empusa ? - Falou com a voz masculina de Hans, que estava acostumada a ouvir.

Mora, leve o corpo para Os Filhos na manufatura. Eles vão fazer alguma coisa com ele.

E o projeto ?

Procure um herege de Algeroth chamado Draen e entregue a ele. Diga que eu que lhe mandei lá. Ele deve lhe entregar um livro com capa de couro com o simbolo da Irmandade. Ele será muito útil para os planos da mestra.

Mora, agora com a aparência de Hans, acionou a abertura do porta-malas e arrastou o cadáver jogando-o com dificuldade para dentro daquele.

Maldito pesado... - Bateu a tampa com força.

O novo Hans entrou no carro e fechou a porta.

- Pela magia de Ilian. - Ela acelerou o carro e virando rapidamente, saiu em direção da saída.

Empusa fechou o manto e abriu um sorriso de dentes escuros. Estava satisfeita. O plano estava seguindo o curso planejado. Pegaria o livro da Irmandade e depois poderia se livrar de Mora. Sabia que sem Mora para dividir os créditos, Ilian sua mestra, iria lhe recompensar por conseguir o livro sozinha. Seria muito provável que ela ganhasse mais poder.

Ficou imaginando qual seria, estava se preparando para ir embora, quando uma luz forte verde apareceu e um raio de mesma cor atingiu a lateral de seu corpo, jogando-o para a frente. Ela rolou com o manto sendo tomado por um fogo esverdeado. Levantou jogando o manto para o lado e batendo no corpo para apagar o pouco do fogo que estava tomando conta das ataduras. Seus cabelos longos queimaram parcialmente e seu corpo estava com queimaduras superficiais.

Ela procurou de onde vinha a luz, até que viu o vulto tomado por uma aura verde.

A forma inconfundível de um inquisidor.

A mão esquerda dele esticada a frente, estava com uma luz bruxuleante em volta. Ele estava parado, demonstrando uma tranquilidade frente ao perigo tipica dos experientes em combate.

Ela esticou os braços na direção dele e se concentrou. As sombras ao redor dele se moveram como se fossem uma mancha de óleo viva e tentáculos de sombra avançaram prendendo o corpo dele em vários pontos.

Ela sorriu, sentindo um cansaço começar a aparecer. Estava ficando sem poder.

Apontou para o chão e uma sombra assumiu uma forma arrendondada.

Uma luz verde clareou o ambiente. Quando ela olhou para ele, viu que o inquisidor ficou com a aura esverdeada mais forte e as sombras que o prendiam começaram a se dissolver.

Ela sentiu panico. Colocou a perna na sombra arredondada e estava entrando na mesma, quando um novo raio verde atingiu o chão e a sombra arrendonda desapareceu junto com a perna que estava dentro da mesma. Ela gritou caindo no chão, com o sangue jorrando do local aonde antes estava a perna perdida.

Tentou se concentrar, mas a dor estava muito forte e ela não conseguia mais manter o foco. Sua visão estava ficando turva. Ela esticou o braço na direção daquele homem de armadura que estava vindo na sua direção.

Um som ecoou dentro da garagem. Uma nova dor surgiu no seu ombro e o sangue desceu do mesmo. Ela viu uma Punidora na mão do inquisidor, com fumaça saindo do cano. Ele avançava na sua direção. Tentou com o outro braço, mas uma bota grande pisou sobre o mesmo.

O inquisidor estava olhando, com a pistola na mão, para ela que estava no chão e nada mais podia fazer.

Clemencia... Clemencia... - Ela disse entre engasgadas. Sua mente vagando e sua energia desaparecendo.

Pedes clemencia? Como ousas me pedir isso, criatura vil? Vós que abraceis a escuridão, não mereces piedade de um servo da luz. Quando encontrares com seu mestre ou sua mestra, diga-lhe ou diga-lha que fostes Inquisidor Giuliano Pietro que lhe mandou de encontro a ele. Ou seria ela?

Empusa ainda tentou falar algo, mas as palavras morreram na sua garganta quando a dor final surgiu em seu peito causada pela lamina de uma espada que desceu atravessando seu corpo atingindo o chão. Ela segurou a lamina com as duas mãos. Sabia que tinha falhado e iria para os campos de Ilian. Sabia que iria ser caçada para deleite de sua mestra. Seu plano de conseguir mais poder falhou e lhe custou a vida.

As mãos desceram e ela morreu em um ultimo espasmo.

O inquisidor puxou a espada e a guardou na bainha em suas costas. Colocou a pistola Punidora no coldre.

Façais a limpeza deste recinto... - Ele disse aparentemente para ninguém, até que surgiu das sombras um homem com sobretudo, luvas, chapéu escuro e óculos, trazendo uma maleta grande.

Foi um belo show... - Sorriu parando do lado do corpo. - Alguma instrução especifica inquisidor?

Faça da maneira tradicional, como sempre.

O homem sorriu abrindo a maleta.

 

( continua )

 

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People in this conversation

  • Guest - Karlos Junior

    Bem interessante pra um início de trama. Até que o RPG era legal, apesar de termos jogado poucas vezes. Impossível esquecer que o Kash deixou o Charuto morrer de bobeira..hahuahauhaua

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  • Guest - Findreans ( Eduardo Castelhano )

    Principalmente que depois o Luis Fernando matou o Cash por isso... re re re... deixou ele cair de cabeça para baixo e ele quebrou as costelas e o braço e empacotou bonito...

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Últimos Comentários

Guest - Romildo lima
Li e Recomendo. simplesmente Alexey rickmann nos mostra que temos grandes potencia na literatura Nac...
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