Reescrevendo Star Trek XI: Capítulo 3 – Causa Improvável

Este é o terceiro capítulo de uma série de contos que reescrevem o último filme de Star Trek, antes de ler esse peço que leia a primeira e a segunda partes. A todos uma boa leitura.

Shiran adentra a sala de transporte, depois de alguns segundos, duas figuras e não uma, se materializam na sala. Uma é uma mulher alta esguia de uniforme do Tal Shiar e longos cabelos pretos presos num penteado romulano. A outra era uma grande caixa de metal de formato cilíndrico semelhante a um torpedo fotônico, com um pequeno console ao lado.

T'Renna cumprimenta Shiran acenando com a cabeça. Então depois dela dedilhar os botões do console da caixa preta, o objeto começa a flutuar.

- Comandante preciso de um aposento para guardar essa caixa, também precisarei de um protocolo de segurança nível 5 para este aposento e dois guardas na porta.

- Entendido!

Shiran escolta T'Renna a dois aposentos adjacentes. Ela empurra a caixa para um deles, sai novamente para o corredor e encosta o seu pad no console da porta. Depois ela se afasta e dois guardas tomam posição um de cada lado da entrada. Shiran e T'Renna então entram no outro aposento e a porta se fecha no corredor. O lugar era um grande quarto com uma cama e uma mesa de jantar, perto de um sintetizador. Também tinha um banheiro com um chuveiro. T'Renna usa um tricorder que pega de sua bolsa e anda de um lado a outro. Ela analisa todo o material em volta a procura de grampos e escutas. Depois de alguns minutos de uma procura minuciosa, ela desliga o aparelho, retira a bolsa do ombro e a coloca sobre a mesa.

- Até agora, tudo transcorre como esperado. Finalmente fala Shiran.

- Sim, mas temos que ter muito cuidado, ainda faltam muitas etapas. Segurar a tripulação vai ser o mais difícil.

- Posso pelo menos saber o que é aquela carga? Pergunta Shiran num olhar maroto.

- Digamos apenas que é um presente de um amigo cardassiano que me devia favores. Devem ser mantidos na área de carga sob um escudo de força e perto dos portões. Vamos lançá-los assim que precisarmos. Você tem um pad?

- Sim tenho. Responde Shiran enquanto procura o seu pad pessoal e entrega a ela.

- Essas são as modificações que precisamos. Tente fazer isso da forma mais discreta possível. Fala T'Renna após mexer nos dois pads.

Eles se despedem assentindo um para o outro. Shiran, então sai do aposento e vai em direção à ponte para encarregar-se dos preparativos. Apos alguns minutos ele assume o comando, a Narconna começa a se mover, passa pelo cargueiro, faz meia volta a estibordo em direção à nave de carga. Um vasto raio de luz verde sai de um canhão disrruptor no nariz da ave de guerra, o disparo destrói por completo o cargueiro. Após mais alguns segundos a grande nave da classe D’Deridex some numa distorção de luz, enquanto atrás dela os pedaços da pequena nave ainda são consumidos pelas luzes da explosão.

T’Vol e Toraga eram duas grandes amigas. Jovens tenentes, se conhecem desde a academia. Andavam pelos corredores após o turno de serviço em direção aos seus aposentos. Conversavam em voz baixa, chegaram aos aposentos de Toraga, e esta convidou a amiga a entrar. Após de servir dois copos de àgua, e colocar uma jarra ainda cheia pela metade, ambas sentaram-se à mesa para continuar a conversa.

- A agente do Tal Shiar chegou aqui ao final do meu turno. Nesses dois dias o clima na nave inteira mudou. Diz T’Vol antes de beber um gole d’água.

- Eu percebi, as conversas parecem sussurros, ninguém sabe o que realmente está acontecendo. É a primeira vez que faço uma missão para o Tal Shiar, mas ouvi falar que sempre é assim. Deixam todos no escuro. Responde Toraga.

- Em todo esse tempo que estive aqui, nunca vi a relação entre eles estar tão fria. O comandante só fica isolado e descansa muito pouco. Eles podem não ser íntimos, mesmo assim, não ficam tão distantes quanto estão agora.

- Eu só sei que sinto um misto de alerta, ansiedade e uma grande preocupação, o clima está bem tenso. Mas não vou me deixar abater. Obrigada pela água, mas agora vou para os meus aposentos descansar. O turno amanhã será bem tenso.

Toraga se levanta da mesa e as amigas se despedem.

Derak tinha passado as ultimas duas horas e meia estudando as especificações das modificações ordenadas por T’Renna. Por ordem dela e com o apoio de Shiran ele tinha ido com Verus, o engenheiro chefe da nave, até a área de carga e aberto a maior das caixas trazidas a bordo junto com a agente do Tal Shiar. Eles a princípio não tinham a menor ideia de qual a utilidade de todas aquelas peças. Verus descobriu muito mais rápido que Derak o que T’Renna pretendia fazer, não interrompeu o outro, mas assim que o subcomandante terminou seu estudo e veio falar com ele, o engenheiro lhe falou sobre suas preocupações.

Aquilo tinha sido demais para o subcomandante, ficou tempo demais no escuro. Shiran teria que explicar o que estava acontecendo, levou mais um tempo pra controlar seu impulso de pressionar seu comandante a falar. Se ele queria informação só a conseguiria sendo polido. Alem disso, uma discussão se vazasse, colocaria a tripulação contra ele. Pelo comunicador pessoal, pediu uma reunião com o seu comandante em seu escritório particular na ponte. Shiran concordou, então durante o caminho entre a engenharia e a ponte foi tentando se acalmar e ensaiar o que dizer sem muito sucesso. Assim que entrou na sala viu seu comandante de pé olhando as estrelas que passavam pela janela. Shiran se virou para ele e o cumprimentou acenando com a cabeça.

- Senhor, estou realmente preocupado com a natureza de nossa missão.

- Eu também estou. Respondeu Shiran encarando seu subcomandante nos olhos.

Derak esperava essa resposta, mas achava que seu comandante pudesse estar escondendo algo, ficou sem saber o que falar depois de não ter encontrado nenhum sinal de que Shiran estivesse mentindo, passados alguns segundos falou a primeira coisa que veio à cabeça.

- Está familiarizado com as pesquisas do incidente com a Vond’Shar? Ela fazia testes em seus motores que resultaram numa bolha temporal.

O comandante limitou-se a assentir e depois ir em direção ao replicador que ficava em sua sala. Enquanto tira uma caneca da máquina ele fala ao seu imediato.

- As peças trazidas pela agente do Tal Shiar vão gerar um campo de força que isolará nossa engenharia desses efeitos, o que significa que ela pretende levar nossa nave numa viagem no tempo. Responde Shiran

O comandante já esperava por isso. Derak era um homem muito perspicaz, cedo ou tarde ele descobriria o que está acontecendo e viria confronta-lo. Gostava dele, é um bom oficial e precisava de sua cooperação, mesmo sabendo que a tripulação o seguiria, sabia que a opinião de seu imediato contava muito, portanto, era um risco muito grande para a missão se ele resolvesse se amotinar.

- E temos mais um problema. Ficaremos sem camuflagem com essa coisa ligada, ela precisa de muita energia. Terminou Derak.

Shiran sem dizer uma palavra, vai até sua mesa e pega um pad, entrega a Derak e bebe um gole do líquido em sua caneca. O subcomandante fica sem entender a princípio, achando que foi ignorado, à medida que lê os informes contidos no pad sua confusão se torna incredulidade.

- Agora eu começo a ver o que T’Renna pretende, eu sairia daqui para prendê-la se não tivesse lido as informações contidas aí. Responde Shiran enquanto anda em direção à sua mesa e se senta em sua cadeira.

Derak não teve tempo de entrar em contato com as pessoas que conhece nas ultimas semanas, pois estavam numa missão com o protocolo silencioso, o que significa camuflagem acionada e silêncio de rádio. Mal podia acreditar no que lia, mas confiava o suficiente em Shiran para não desconfiar de seu comandante.

- Os problemas internos que nos isolaram durante anos e nos impediram de fazer o resultado da guerra civil klingon pender para o nosso lado afloraram agora, e dessa vez não é uma simples conspiração política que acaba em alguns assassinatos, é uma guerra civil.

Derak então não disse mais nada, entregou o padd ao seu comandante e virou-se para a janela que mostrava as estrelas que passavam.

- Então o que nos resta é cumprir a missão? Pergunta finalmente o primeiro oficial.

- Por mais que eu deteste admitir, não tenho outra ideia.

- Então farei com que as modificações estejam prontas conforme o cronograma senhor. Peço permissão para voltar à engenharia.

- Concedida!

Derak deixa a sala e vai em direção a engenharia ainda sem conseguir acreditar.

Clique aqui para a quarta parte.

Leave your comments

Post comment as a guest

0
  • No comments found

Últimos Comentários

Guest - Romildo lima
Li e Recomendo. simplesmente Alexey rickmann nos mostra que temos grandes potencia na literatura Nac...
Mesmo no novo endereço, que você citou, a loja não existe mais. Conversando com o dono, ele disse qu...
Guest - Leonardo
Na verdade eles se mudaram para este endereço: 33 Avenida Treze de Maio 20031-007 Rio de Janeiro S...
Guest - Karla Lopez
Eu gostei o filme. Lembro dos seus papeis iniciais, em comparação com os seus filmes atuais, e vejo ...
Guest - Ogro
Fala, Chança!!!! Gostei do texto... Essa é uma das poucas estórias do Super que eu curto. Um grand...

Login