Reescrevendo Star Trek XI: Capítulo 1 – Os Laços.

Como publiquei em outro artigo, este é o primeiro de uma série de contos que reescrevem o roteiro do reboot de Star Trek. Desejo a todos uma boa leitura!



Capítulo 1 – Os Laços.

A ponte de comando era quase um silêncio absoluto, apenas quebrado pelo som dos instrumentos e do motor da nave. A tripulação estava totalmente concentrada na tarefa delegada, cada um em sua estação tentando garantir que nada em sua importante missão pudesse dar errado.

Ao contrário do que se possa pensar, a ponte da Narkonna normalmente não é assim. Shiran assumiu o comando da nave há sete anos, desde então, o clima entre ele e a tripulação foi sempre leve. Líder nato e carismático, rapidamente impôs sua autoridade e conquistou a lealdade de sua tripulação. Vários de seus tripulantes lutaram sob seu comando na guerra contra o Dominium. Alguns podem não confiar em seus métodos, mas todos confiam em seus julgamentos, que sempre levaram sua nave à vitória.

A Narkonna era da principal classe de naves da frota romulana. A Federação designou a classe como ave de guerra romulana, e os romulanos a chamavam de classe D\\\'Deridex. É o orgulho do império romulano, foi projetada para intimidar seus inimigos devido ao seu gigantesco tamanho e é uma máquina de guerra formidável com um grande poder de fogo. Lembra um grande pássaro predador verde, o que explica a denominação da classe dada pela Frota Estelar.

A ponte de comando tem duas entradas uma de frente para outra, que chegam a uma pequena ante sala, tendo uma terceira parede com placas e honrarias dadas à tripulação e onde deveria haver a quarta parede é a entrada para a área da ponte, de onde pode se ver a grande tela da nave no fim da sala, a cadeira de comando, a cadeira do primeiro oficial e os dois consoles de armas, que são operados de pé ao lado dos assentos dos oficiais comandantes. O console de ciências e engenharia estão nas paredes atrás dos oficiais de armas. Os consoles de navegação ficam a frente mais perto da tela, após descer dois degraus e são ladeados por duas portas, uma leva à sala particular do comandante e outra leva à sala de reuniões da ponte. A nave viajava em velocidade de dobra, com o status de alerta normal, por isso os consoles de armas, engenharia e ciências estavam vazios.

Shiran após uma consulta num dos visores do braço da sua cadeira de comando, fica de pé e se vira à esquerda para fitar seu imediato.

- Derak o comando é seu! Falou num tom tranqüilo e direto, não dando espaço para questionamentos.

Derak assentiu com a cabeça e por alguns segundos ficou olhando seu comandante se afastar. A porta entrada da ponte se fechava atrás de Shiran, enquanto Derak se sentava na cadeira de comando.

Nero Genesis. Essas palavras dispararam vários pensamentos em sua mente, enquanto Shiran aproveitava um pouco de privacidade em seu escritório particular. A mensagem tinha acabado de chegar. Parte dele queria que essas não fossem as palavras que receberia, enquanto ele decriptava a mensagem. Duas palavras humanas, este era o sinal de que a operação Nero havia começado.

Lentamente levantou-se da cadeira em sua escrivaninha, andou até a janela e fitou o espaço. Enquanto as luzes das longínquas estrelas passavam. Lembrou-se de quando tudo isso realmente começou. Sempre ponderava sobre isso, tentando enxergar outra saída para a situação. Mas ela era boa com as palavras e por mais que a missão e os motivos fossem loucos, ela era uma das mais respeitadas agentes do Tal Shiar.

Alta, esguia, longos cabelos pretos, sempre presos no mesmo penteado romulano. Shiran conheceu T\\\'Renna durante a guerra contra o dominium. Suas analises e informações foram muito importantes e salvaram muitas vidas durante a guerra. Após o sacrifício que tiveram quando tomaram o controle sobre o setor onde fica Betazed dos Jem\\\'Hadares, ela ferveu de ódio quando soube que os seus líderes iriam devolver o setor à Federação. Ela era uma patriota ferrenha, e como todo tipo de fanatismo, leva às pessoas a fazerem coisas cruéis, impensadas e muitas vezes absurdas.

Há dois meses a Narkonna passou duas semanas atracada na estação da frota romulana em órbita do planeta Tolussar, perto da fronteira klingon. A nave estava recebendo uma nova carga de suprimentos e alguns reparos estavam sendo feitos no conjunto principal de sensores. A tripulação então aproveitou o tempo livre como quis. Enquanto supervisionava os reparos em sua nave, seu comandante recebia uma ilustre visita. T\\\'Renna entrou no escritório de Shiran enquanto ele estudava alguns relatórios acerca dos reparos. Andar imponente e ar arrogante. Ela tinha uma segurança inabalável, fruto de muito estudo e muito trabalho duro que a levaram a ter a reputação de \\\"nunca errar\\\".

- Você aqui! Em pessoa? Fala Shiran, sem esconder a surpresa.

T\\\'Renna um assentiu com a cabeça cumprimentando o outro e levantou a mão direita como que apontando a cadeira em frente à escrivaninha.

- Posso?

- Claro! O que de tão grave a trouxe aqui? Shiran perguntou calmamente, disfarçando a preocupação, mas de forma direta, pois sabia que T\\\'Renna não fazia nada sem um motivo muito justificado.

- Preciso de sua ajuda. Para salvar o Império e nossa família. Respondeu ela, também de forma direta.

Shiran ficou perplexo. Não falava de sua família com ninguém. Eles eram perseguidos por seus inimigos há mais de um século e os poucos que conseguiram algum destaque tiveram que tomar todos os cuidados possíveis para esconder sua descendência. Para o bem ou para o mal, aquela pessoa sabia do seu segredo, só não levantou e tentou matá-la por que ela disse as palavras \\\"nossa família\\\".

- Sim pertencemos à mesma família. Responde T\\\'Renna percebendo a perplexidade do outro. - Por que você acha que sempre lhe dei informações alem dos canais oficiais? Sempre soube quem você é. Não se preocupe, não pretendo revelar nosso segredo. Disse esboçando um sorriso.

- O que eu posso fazer por você? Shiran sempre foi direto, sem rodeios, percebeu que ela também era assim e se deram bem trabalhando juntos, ele em campo e ela analisando as informações que eles trocavam durante a guerra, alem disso estava perplexo demais com a revelação, para desviar o foco para qualquer outra coisa.

T\\\'Renna contou seu plano, nos mínimos detalhes, o que faria para conseguir cumprir cada etapa e o estudo que fez de toda a missão. Shiran ouvia com atenção, mas dava claros sinais que não concordava e por vários momentos teve que se segurar para não dizer a ela que aquilo era um absurdo descabido. Mas ele a respeitava muito e se tivessem sucesso eles poderiam mudar tudo para melhor, pelo menos era o que ela afirmava com veemência. T\\\'Renna percebendo que Shiran estava convencido de que o plano era uma loucura, resolve dar uma outra perspectiva para a conversa.

- Eu também estava em dúvida, mas antes de vir para cá, recebi a informação de que houve um atentado em Romulus, precisamente na sede do comando da Frota Romulana, a senadora Sela está morta.

Isso foi como um soco no estômago. Shiran ficou chocado. Sela tinha sido uma das mais respeitadas Almirantes da Frota, tornou-se senadora e assumiu o comando geral da Primeira Frota, após o atentado que dizimou o senado. Mas para ele isso ela era mais do que isso, era a sua mentora.

- Entende a gravidade da situação? Continuou T\\\'Renna. Niva usou Donatra e seus cúmplices e conseguiu ruir o Império.

T\\\'Renna se levanta da cadeira e vai até a janela da sala e começa a fitar o espaço. Shiran fica pensativo em silêncio, sentado em sua cadeira, digerindo as notícias que acabara de receber. Após alguns momentos T\\\'Renna se vira para encará-lo de pé, sem sair de onde está. Sua expressão demonstra profunda determinação.

- Estamos em guerra civil Shiran e a única coisa que tenho certeza absoluta, é que não confio em nenhum dos dois lados o suficiente para dar o meu sangue por eles. Eu sofri muito para chegar até aqui, acredito que você também sofreu. Mesmo que não consigamos sobreviver a essa missão, pelo menos nossa família terá uma segunda chance.

Shiran volta à realidade, após relembrar a conversa com T\\\'Renna. Começava a acreditar pela primeira vez, que isso tudo poderia salvar sua família de certa forma, mesmo achando que o plano era louco e que tinha muitas chances de dar errado. Mas ela tinha razão, ele também estava cansado de lutar pelos outros, agora travaria uma luta pessoal, mesmo sabendo que era egoísta de sua parte, arriscar a vida de sua tripulação nisso.

Calmamente ele volta a sua escrivaninha e aperta um botão no console sobre a mesa.

- Derak, novo curso, 013 marco 10. Dobra cinco. Mantenha o curso e velocidade até novas ordens.

- Sim Senhor! Responde o subcomandante.

 

Espero que tenham gostado! clique aqui para a segunda parte!

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  • Guest - Chanceller Martok (Alexandro Paulo)

    Eu reli esse texto diversas vezes. Dei prosseguimento voltei reli e fiz muitas mudanças. Eu queria que ficasse realmente bom. Na verdade eu ainda acho que tenho que melhorar muito, mas decidi publicar porque se adiasse mais ia perder o tempo do segundo filme e o assunto ia ficar meio datado. Foi bom que vocês gostaram porque aí me dá um gás pra continuar. Já já vou publicar o próximo.

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  • Guest - Ogro (Creso)

    Realmente gostei da abordagem...

    A trama, não sei se você pretende manter a linha base do filme, gerou expectativas pela continuação do texto...

    Estou ansioso pela parte 2...

    Abração do Ogro!!!

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  • Guest - Findreans ( Eduardo Castelhano )

    Acontece muito quando se escreve, cada vez que olho o texto segue um monte de correções e mudanças. Sempre acaba tendo alguma coisa acrescentada e/ou modificada. Mas chega um momento que é melhor abstrair e lançar o texto senão ele não sai nunca. Sei que é uma coisa de perfeccionismo, mas se não for assim, não tem jeito. Não sei se todos passam por isso, mas alguns autores famosos tem desses problemas ( em alguns casos, até com um livro depois de terminado ).

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  • Guest - Ogro (Creso)

    Stephen King, um dos meus autores favoritos, já comentou em várias entrevistas que ele reescreve várias vezes um capítulo ou um livro...

    O mesmo acontecia com Tolkien (pra mim o melhor contador de estórias de todos os tempos). O Senhor dos anéis ele começou a escrever durante a 1ª guerra e terminou alguns anos após o término da 2ª... O Hobbit foi escrito nesse meio tempo, para seus filhos que na época tinham menos de 10 anos (por isso o livro é um tanto "infantil")....

    Eu mesmo tenho alguns textos que não publico e não publiquei ainda porque não acho que estão acabados, sempre acrescento algo a mais ou retiro trechos...

    É complicado... mas edificante...

    Uma dúvida: se eu quiser publicar um texto aqui no site como faço? O chanceler tem meu e-mail e pode responder por lá...

    Abraços do Ogro.

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  • Guest - Karlos Junior

    Muito bom!! E instigante também. Pelo visto cheguei com a continuação publicada. E lá vamos nós!! :D

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  • Centro, Rio de Janeiro - State of Rio de Janeiro, Brazil

    Gostei muito!!! Trouxe muita coisa boa a lembrança. Vou continuar a ler, e compartilhar!

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  • Que bom! Ainda tenho muito o que melhorar, mas vocês gostando pelo menos da ideia geral, já é um grande incentivo para continuar.

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  • Guest - Ize

    Gostei bastante. Deu muita sensação de apreensão e grande curiosidade do que está por vir.
    Manda logo outro capítulo.

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  • Na verdade já tem 8 partes. É só clicar no link no final do texto para ir para a próxima.

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  • Guest - Fabio

    Ola. Curti bastante. Acho legal o fã que se expressa. Escrevi um.conto a um tempo atrás. Juntando star wars e star trek.
    Parabens.

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