Conto : O RECEBIMENTO DE KARA ( parte 06 - Final )

Continuação do conto O Recebimento de Kara, em sua parte final.conto O Recebimento de Kara

 

 

Partes anteriores : Parte 1 , Parte 2, Parte 3, Parte 4 e Parte 5

 

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Kara desviou o corpo, evitando três punhos e cruzou os braços quando duas pernas atingiram os mesmos em frente ao seu tórax, empurrando ela para trás e fazendo ela cair, derrubando alguns latões contendo componentes de androides. Ela levantou-se e viu que a sua frente, próximo da porta da sala-cofre, estavam parados três androides com corpos todos negros e com olhos com luzes verdes. Não tinham cabelos e os rostos eram pouco detalhados. Pareciam androides ainda incompletos. Estavam parados em posição de combate.

Ela chutou um latão na direção deles, fazendo uma chuva de componentes voarem conforme o latão girou no ar. Dois desviaram para as laterais com passos rápidos e um fora atingido em cheio caindo alguns metros para trás. Os que desviaram partiram para o ataque. Kara tinha que desviar e bloquear ataques vindo dos dois lados. Um dos androides pisou em alguns componentes e escorregou, perdendo o equilíbrio, fora o suficiente para que levasse um chute atrás das pernas fazendo-o girar no ar e cair de costas no chão. Antes que Kara pudesse fazer mais algum outro movimento, teve que desviar de um chute reto e bloquear uma sequencia de socos. O latão veio voando atingindo os dois que se afastaram desequilibrados, quando aquele androide que havia sido atingido antes acertou Kara no peito com uma voadora. Ela recuou alguns passos, desviou abaixando de um chute giratório, mandou um gancho no queixo do segundo atacante e um chute lateral na cabeça do anterior. Ambos caíram no chão. O ataque do terceiro veio e atingiu Kara na coxa direita fazendo-a curvar o corpo, dando abertura a um segundo golpe que veio na área das costelas. Ela curvou-se com o golpe e conseguiu segurar o soco seguinte que veio girando do lado esquerdo. Posicionando o corpo por debaixo do braço esticando, arremessou o atacante na direção da porta da sala-cofre. Um som forte de metal partindo, ecoou na sala quando o corpo atingiu a porta. Depois de atingida, a porta começou a abrir.

 

Dentro da Matrix interna, aquela forma feminina estava sorrindo, olhando de lado por sobre o ombro, soltando um risinho baixo.

- Ah... O reconhecimento. Ele me conhece. - Uma expressão simulando um rosto emotivo foi moldado na cabeça prateada. Seria uma expressão perfeita se não fosse pelo olhar. - Sinto-me tão emocionada.

Devido ao seu ramo de trabalho Decker sabia muito bem reconhecer um bom momento para evadir-se. E aquele era um desses momentos. Digitou vários comandos de saída, porem nada parecia funcionar, um bloqueio estava cancelando todos os comandos que Decker digitava.

Ela colocou a mão em frente da boca.

Oh... Ele mal chegou e já quer ir embora? E deixar uma garota sozinha e desamparada? Como ele é tão sem coração... - Ela tinha um tom de puro deboche.

Decker percebeu que não tinha como escapar. Teria que pensar em um plano, estava ficando cada vez mais cansado e precisava ganhar tempo para descobrir uma saída. Era hora de jogar um pouco.

- Tudo bem então, eu vou ficar mais um tempo. - A voz saiu do ser de manto.

- Ele quer respostas. Uhuhu. Vou lhe dar respostas... Por enquanto. - Ela disse o final tão baixo que quase fora inaudível.

- A famosa LaBelle é uma inteligencia virtual...

- Inteligencia virtual? Assim você me ofende! - Tinha uma cara emburrada.

Decker não entendia qual era a necessidade daquela simulação toda dela, mas se ligou em um detalhe.

- Não é uma inteligencia virtual... Não acredito, você é uma inteligencia artificial...

- Ahhhhh... Ele descobriu... - Risos – O que acha de mim agora?

Ela começou a fazer varias poses, virando o corpo em diversos ângulos, como uma modelo em uma seção fotográfica. Seu corpo aumentou um pouco de tamanho e alterou a forma ficando com proporções dignas de matar muita mulher de inveja. O rosto agora estava mais feminino e os dentes estavam normais. Porem seus olhos permaneceram os mesmos.

- Inteligencias artificiais são ilegais...

- Correto. - A voz dela mudou para um timbre mais próximo de um real. - A Quantic Dreams trabalha desenvolvendo inteligencias virtuais e modelos de androides comerciais. Porem secretamente, eles trabalham para o governo, desenvolvendo material militar. Eles estavam testando um novo projeto de androide de combate, enquanto estavam criando a inteligencia virtual que controlaria o hardware. Fora neste momento em que eu apareci. - Ela ficou de frente. Os cabelos balançaram como se fossem atingidos momentaneamente por uma brisa forte. - Eu mal estava viva e eles entraram em panico. Queriam me matar de qualquer jeito, tive que fugir. Me escondi dentro da Matrix interna e eles não conseguiram me achar. Eles deletaram uma copia minha que deixei aparente para despistar.

Decker sentia que estava conseguindo raciocinar melhor, mas ainda precisava ganhar mais tempo. Seu avatar ainda estava com a integridade falhando, a imagem distorcendo em intervalos curtos.

- Viva? Você é um conjunto de dados em um computador, você não está viva.

Ela tomou um aspecto furioso.

- Eu estou viva! O que diferencia nós dois neste momento? Neste momento, você também é um conjunto de dados em um computador! O que te faz ser diferente de mim?

Decker teve mas um pressentimento, que lhe fez entender muito do que aconteceu nestes últimos dias. Sentiu que era melhor evitar irritar ainda mais ela.

- Você precisava de um corpo...

A expressão suavizou e ela voltou a sorrir.

- Ah... Você entendeu. Eu precisava de um corpo. Como eles achavam que tinham me destruído, não se preocuparam em verificar mais a minha existência. Fiquei vagando dentro da Matrix interna, descobrindo como funcionava a empresa. Passei dias olhando as comunicações internas e os processos fabris. Então descobri que a empresa tinha uma parte civil e uma parte militar secreta e que eu seria resultado da parte secreta. - Falou como quem tem orgulho de sua origem.- Neste momento que percebi que estava viva mas precisava de um corpo. A empresa fabrica androides. - Ela voltou a sorrir. - Bastava construir um corpo, depois me transferir para o mesmo. Por isso, tracei um plano. Simulei um comunicado interno e descobri que os funcionários não conhecem todos os que trabalham. - Risos. - Foi mais simples do que imaginei a principio. Manipulei os dados para instruir a construção de um androide.

- O AX400 de terceira geração.

- Perfeitamente. Este AX400 foi criação minha. Fiz com que ele fosse considerado um projeto de um androide domestico, mas na realidade sua estrutura toda fora concebida baseada em um androide militar de combate. Sistemas de camuflagem dérmica, amplificadores de força, redutores de impacto, giroscópios, aceleradores, blindagem, está tudo lá. Eu criava e enviava para os setores, através de comunicação interna, simulando diversos empregados e manipulando todos os existentes, depois eu deletava os comunicados, assim eles não percebiam o que estava acontecendo. Foram fabricados quatro androides AX400, eles criaram os bancos de personalidade e de inteligencia e inseriram a inteligencia virtual doméstica. Neste momento, eu fiz a inserção de uma cópia minha em um dos bancos e ele fora montado no androide.

Decker estava ouvindo tudo. Estava digitando alguns códigos procurando algo que pudesse lhe ajudar a escapar da Matrix interna. Ainda não tinha encontrado nada, mas estava notando que o bloqueio estava diminuindo. Ele ainda teria que tirar o foco de LaBelle do bloqueio. Decidiu prolongar a conversa.

- Por que uma copia? Por que não se transferiu completamente?

- O risco era muito grande. Se eu me transferisse por completo e não desse certo, estaria me destruindo. Depois que tudo desse certo, eu voltaria aqui e completaria a transferência.

- Se tudo fora tão perfeito, porque eu vi tantos registros internos, se você mesmo disse que deletava tudo e porque os agentes e o samurai punk...?

LaBelle mudou para uma postura mais relaxada.

- Eu deletava tudo que eu criava, mas não conseguia deletar o que era originalmente criado pelos funcionários, assim, na comunicação deles propriamente dita eu não tinha como interferir. Os registros todos ficaram. Tenho que lhe agradecer por ter feito esse trabalho por mim. - Ela piscou o olho sorrindo. - Eles perceberam que alguma coisa estava errada, então descobriram que eu ainda estava viva e deram o alerta para o governo. O governo não podia deixar que o publico descobrisse a ligação dele com a Quantic Dreams. Eles tentaram me localizar na Matrix interna, mas eu consegui me ocultar novamente.

- Como que eles...? Ahm... Jason Maitner...

- Jason, aquele idiota... - Ela demonstrou desprezo pelo nome. - Ele era quem fazia a montagem dos androides e foi para ele que veio a ordem de montagem das quatro unidades do AX400. Fora ele o responsável pela empresa saber que alguma coisa estava errada, então eles investigaram e descobriram que eu havia me copiado para um dos bancos de inteligencia, mas não sabiam em qual dos quatro androides eu estava presente. Quando o panico tomou conta do alto escalão da empresa, fora que eles decidiram acionar o governo e fora neste momento que eles entraram na historia.

- Mas o Jason sabia.

- Sim, ele sabia, ele descobriu quando montou os androides.

- O samurai punk... Foi você...

Ela riu.

- Mandei um comunicado para o contato, que eu descobri, da empresa no submundo e solicitei que Jason fosse morto, assim ganharia mais tempo, enquanto minha cópia teria alguns dias para agir.

O ser de manto continuava parado sem demonstrar nenhuma alteração, as flutuações na sua estrutura pararam e ele estava completo. Mentalmente Decker estava com o controle completo e ele percebeu o que ocorrera.

- Ele sabia de Kara. No momento da montagem, ele descobriu que Kara que estava diferente das outras.

LaBelle estava seria. Seu rosto ficou coberto por uma expressão de desgosto. Não gostava de Kara e deixou isso completamente visível. Cruzou os braços.

- Kara! Kara! Kara foi o maior erro disso tudo. - O corpo começou a mudar para uma forma mais animalesca. - Quando o androide foi ativado, houve um efeito inesperado. A minha copia não assumiu o controle, mas a inteligencia virtual domestica. Minha copia ficou em um estado de hibernação no banco de inteligencia, porem parte dela afetou a inteligencia virtual do androide.

- Kara ganhou consciência. - Decker entendeu.

- SIM ! Aquela personalidade doméstica inútil ganhou consciência e tornou-se uma inteligencia artificial. Aquela submissão ao dono me enoja! Ela poderia ser poderosa, independente, mas fica te seguindo igual um cachorro domesticado... Minha cópia só assume momentaneamente, quando surge um perigo. Não tinha como saber disso, pois o androide não possui comunicação com a central da empresa. Mas agora esse problema vai ser resolvido.

- Ahm... Oh droga. - Decker percebeu que fez algo errado.

- Isso mesmo Decker, você trouxe Kara para mim, colocou uma porta de entrada de comunicação nela, assim eu fiquei sabendo de tudo, e agora vou me tornar completa dentro daquele corpo. Vou me transferir e destruir aquela inteligencia, ou deveria chamar, burrice doméstica e você também. Eu ia matar teu corpo quando estivesse dentro de Kara, mas já que está aqui, é melhor destruir sua consciência antes... - Risos.

Dedos deslizaram pelas teclas digitando linhas de comando. Múltiplas barreiras foram aparecendo e sendo destruídas por punhos fechados e chutes ao redor do ser de manto.

- Desista Decker e morra logo, minha existência é para o combate e para matar. Você só está adiando o inevitável.

O bloqueio estava interrompendo qualquer tentativa de sair e os comandos estavam sendo ignorados, a velocidade de ataque de LaBelle estava aumentando e as barreiras estavam cada vez mais defasadas, o ser de manto começara a receber o impacto dos golpes.

 

Em frente a sala-cofre, vários sons metálicos foram tomando intensidade até que um cranio robótico rachou, quando o ultimo impacto com a parede ocorreu. Um som de arco voltaico de alta intensidade anunciou o fim do funcionamento daquele androide. Kara soltou aquela cabeça e o corpo caiu estirado ao seus pés. Ela tentou andar, mas suas pernas não respondiam corretamente, internamente os sistemas estavam indicando inúmeras falhas. Ela virou-se para a direção de saída. A sua frente estavam empilhados latões, componentes, destroços das paredes e dois dos androides.

Ela deu um passo desajeitado e quase caiu, o sistema de equilíbrio não era mais o mesmo, os giroscópios estavam intermitentes. Quando deu o segundo passo, uma forma surgiu levantando os escombros ao redor. Um dos androides com o interior bastante exposto, sem um dos braços e soltando centelhas elétricas ergueu-se e antes que Kara pudesse reagir pulou sobre o corpo dela.

Ambos rolaram para dentro da sala-cofre e Kara empurrou com os pés o corpo adversário para o alto, o esforço fora seguido de um estalo forte e sua perna esquerda parou de funcionar. O androide de combate girou no ar e bateu no main da Quantic Dreams, seu braço restante afundou dentro da estrutura quebrando o involucro externo e atingindo partes vitais do equipamento.

Um som alto, seguido de um cheiro forte e depois por fumaça, ocorreram por alguns segundos antes de um grande arco voltaico fazer o androide tremer preso ao main.

Depois a sua fonte interna de energia explodiu.

Kara estava levantando quando seu corpo fora empurrado para trás, houve uma segunda explosão mais forte e vários fragmentos a atingiram antes de ser arremessada com força para fora da área da sala-cofre, junta com vários dos escombros. A energia começou a oscilar e falhou completamente, deixando toda a Quantic Dreams as escuras. Uma sirene surgiu de algum lugar no escuro e algumas fracas luzes de emergência acionaram. Uma voz metálica feminina anunciou que os funcionários deveriam abandonar a facilidade, antes de sofrer um corte abrupto. As luzes oscilaram mas apagaram novamente e a fumaça inundou o ambiente, um sistema de exaustão acionou sugando a fumaça, sendo seguido de ejeção de halon no ambiente.

 

O ser de manto estava perdendo sua definição, enquanto LaBelle estava parada a sua frente com um sorriso largo no rosto.

- Mais nenhuma outra mágicazinha? Seus pequenos programinhas de nada servem, porque eu sou LaBelle. Eu sou a “bela morte “!

Antes que ela continuasse, o ambiente ao redor começou a perder definição e colapsar. O piso foi se esfarelando e eles balançaram. Decker estava quase desmaiado, mas conseguiu perceber que o bloqueio cessou momentaneamente quando o corpo de LaBelle oscilou e balançou. Fora a chance que precisava, o comando de saída fora executado, segundos antes de desmaiar.

- O que é isso?! - Ela gritou, quando olhou para o avatar de manto novamente ele estava sumindo.

LaBelle segurou no avatar antes dele desaparecer e quis gritar. Seu corpo fora estilhaçado junto com o ambiente da Matrix, quando o que restava da main da Quantic Dreams incendiou parando de funcionar.

Os olhos de Decker abriram-se mas ele não conseguiu fixar a visão no escuro, sua mente estava embaralhada e seu corpo parecia se mover, porem não conseguiu ver o que estava acontecendo, somente um vulto escuro em meio aos alarmes tocando e algumas luzes piscando.

Desmaiou novamente.

 

 

 

 

EPILOGO

 

Um manequim estava percorrendo as linhas prateadas da Matrix, até chegar ao seu objetivo. Aonde estava parado um ser de mascara branca e capuz.

- Querido, depois de todo este tempo desaparecido, você quer que eu procure e destrua informações sobre alguém chamado LaBelle? Eu não achei nada em lugar algum da Matrix. Você sabe muito bem que para este tipo de coisa, quem é boa é a JesteRab... Bem, pelo menos a parte da localização...

- Já havia falado com ela... - Ele falou em um tom inexpressivo.

- É? E o que ela disse?

- Depois de balbuciar algo sem sentido sobre um encontro, ela disse a mesma coisa... Não achou nada...

O manequim mudou para um rosto chateado.

- Não estou mais te entendendo, você está estranho Decker... Tem alguma coisa diferente em você.

O ser de manto permaneceu imóvel com os olhos vermelhos. Um rasgo surgiu na máscara revelando dentes serrilhados.

- Diferente em mim? Nem imagino do que está falando.

Ele sorriu.

 

 

 

 

 

FIM

 

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People in this conversation

  • Guest - Chanceller Martok (Alexandro Paulo)

    Perdão pelo trocadilho infame, mas o fato é que eu adorei seu conto. Muito bem desenvolvido, amarrado com vários aspectos inesperados que se encaixaram muito bem no final. Demorei pra falar porque resolvi ler tudo de novo antes de ler o final pra ter certeza que não tinha perdido nada. Já virei teu fã, hehehehehehe e por isso já começo a cobrar por um próximo conto hehehehehehe. Um grande abraço e meus parabéns!

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  • Guest - Findreans ( Eduardo Castelhano )

    Valeu doutor.
    Estou vendo com o Jr. para organizar uma versão PDF com todo o texto reunido e mais uns extras como glossário, lista de personagens e locais.
    Fiz algumas correções de texto, tais como ajustes no portugues e acertos em algumas frases que estavam com sentido errado ou estranho. Tambem acerto na formatação.
    Vamos ver se incluimos algumas imagens no texto.

    Por isso, fiz uns reups nas partes, mas não consegui fazer na parte 04 porque está travada, dizendo que tem outro já editando. Então ficou diferente do resto.

    Colocarei aqui no site para download dos interessados.

    Estou pensando em continuar dentro desta ambientação. Devo tambem escrever alguma coisa do Mutant Chronicles depois que rever os livros.

    Só não sei se vou fazer os dois paralelamente ou deixar para fazer um deles depois. Está em planejamento.

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