TURISMO ESPACIAL JÁ É (QUASE) REALIDADE

26/11/2012. Primeiras viagens estão prometidas para o fim de 2013. Pelo menos oito brasileiros já compraram suas passagens. O turismo espacial começa a sair do imaginário da ficção cientifica para se tornar realidade. Pelo menos quatro empresas estão investindo seriamente para levar passageiros ao espaço a "preços populares".

As primeiras viagens estão prometidas para o final do ano que vem, inicio de 2014. Mais de 700 pessoas já compraram seus bilhetes, incluindo pelo menos oito brasileiros. Os preços variam de US$ 95 mil a US$ 200 mil (R$ 199 mil a R$ 420 mil), dependendo da companhia. O destino mais popular, neste primeiro momento, é uma altura de 103 a 110 quilômetros, cruzando a chamada linha de Karman (km 100), no limite da atmosfera terrestre.

Durante alguns minutos, será possível sentir a ausência da gravidade e observar a curvatura da Terra. Diferentes foguetes levarão os passageiros no vôo suborbital, experiência que deverá durar cerca de 60 minutos, incluindo a decolagem e o pouso. As espaçonaves poderão realizar duas ou três viagens por dia.

A Virgin Galactic, do bilionário britânico Richard Branson, já tem até terminal em um "espaçoporto" futurístico no Novo México (EUA), desenhado pelo renomado arquiteto Norman Foster. Branson promete levar os primeiros "astronautas-turistas" para o espaço no final do ano que vem em uma espaçonave com até seis passageiros e dois tripulantes. A viagem custa US$ 200 mil, mas a Virgin Galactic aceita sinal a partir de US$ 20 mil (R$ 42 mil).

Desde o inicio das vendas, 550 pessoas, de 50 países, pagaram US$ 65 milhões (R$ 136 milhões). O engenheiro carioca Marcelo, que prefere não revelar o sobrenome por questão de segurança, já garantiu o seu bilhete, mas só deve voar a partir do segundo ano, lá para 2015. "Prefiro esperar para ver se vai dar tudo certo", diz o engenheiro, que ao longo da vida flertou com a ideia de virar astronauta. Quase cursou engenharia espacial nos EUA, mas desistiu por razões pessoais. "Quando desisti, combinei comigo mesmo que um dia eu ia para o espaço. Essa hora chegou, não é mais coisa de maluco."

O passeio mais barato é o da holandesa SXC (Space Expedition Corporation), associada à companhia aérea KLM. A viagem no foguete Lynx, com capacidade para um passageiro e um piloto, custa US$ 95 mil. "Quando a KLM fez o seu primeiro voo, em 1920, em Amsterdã, também só havia um passageiro a bordo", diz o presidente da SXC, Ben Droste, que veio ao Brasil semana passada promover o passeio. "Estamos no inicio de uma nova era." Cinco bilhetes foram vendidos no país e ele acredita que há potencial para 100. O primeiro a garantir uma vaga com a SXC foi Wagner Dias, palestrante motivacional. "No meu trabalho falo de sonhos. E, como gosto de dar exemplos, resolvi me dar de presente a realização do meu sonho", diz Dias.

Não é preciso aptidão para voar para o espaço. Os passageiros passam por exames médicos, mas as empresas dizem que basta estar saudável. A SXC oferece, como parte da experiência, um treinamento em um caca (ultrapassando em três vezes a velocidade do som) e com gravidade zero. Este último acontece em um Boeing 727, num voo em que a aeronave sobe, desce embicada e, na descida, flutua por cerca de um minuto. Todos esses treinamentos já são oferecidos comercialmente.

Na Zero G, de Miami, por US$ 4.950 (R$ 10 mil) é possível brincar de astronauta sem sair da Terra. US$ 10 milhões - Ainda em seus primórdios, o turismo representa menos de 1% da economia espacial: faturou US$ 10 milhões (R$ 21 milhões) em 2011. Mas deve chegar a US$ 1,6 bilhão (R$ 3,4 bilhões) em uma década, segundo a consultoria americana Tauri Group, especializada nesse setor. Essa renda será obtida apenas com os voos suborbitais. Voos mais distantes, para a Estação Espacial Internacional ou a Lua, vão levar bem mais de uma década para receber o turismo de massa.

Em outras atividades, a renda extraterrestre já alcança números significativos. Relatório da Space Foundation, entidade privada dos Estados Unidos que estuda o setor, mostra que as atividades relacionadas com o espaço movimentaram US$ 289,8 bilhões (R$ 608 bilhões) no ano passado, alta de 12,2% sobre 2010. Os números de faturamento da área incluem desde Orçamentos de governos até serviços e produtos relacionados a satélites, como aparelhos de navegação GPS. Com as crescentes restrições orçamentarias, a Nasa, agencia espacial americana, que deve gastar R$ 17 bilhões neste ano, tem buscado parcerias com a iniciativa privada. Isso tem impulsionado o setor e aberto caminho para inovações. A iniciativa privada já é responsável por 75% de todo o faturamento espacial. E a corrida espacial comercial tem sido fomentada por bilionários do Vale do Silício.

Elon Musk, fundador do PayPal e controlador da SpaceX, firmou um contrato de US$ 1,6 bilhão (R$ 3,4 bilhões) com a Nasa para transportar carga, em 12 missões, para a Estação Espacial. Uma delas trouxe urina de astronauta armazenada há mais de um ano na estação. As viagens não são tripuladas, mas a SpaceX está investindo para permitir que sua espaçonave transporte no futuro também astronautas.

Outro entusiasta do espaço é Jeff Bezos, o fundador da loja on-line Amazon. Ele está por trás da Blue Origin, empresa que desenvolve foguetes para levar três ou mais passageiros para ver a curvatura da Terra, a pouco mais de 100 km de altitude. A empresa ainda não começou a vender bilhetes nem tem data para entrar em operação. Mas, segundo informações do site da Blue Origin, o plano é que os turistas astronautas pousem de volta na Terra de paraquedas. ( Fonte: Folha de SP ) Ed: CE

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