Resenha de filme : DISTRITO 9

O interessante deste filme é que o mesmo é baseado em um curta metragem realizado pelo diretor Neil Blomkamp. Peter Jackson gostou do trabalho do cara e chamou o mesmo para dirigir o que seria a adaptação do jogo HALO para os cinemas. Após um pouco do trabalho ser feito, o projeto desta adaptação fora descartado pela produtora Universal, graças a Microsoft, e os dois ficaram desempregados. Mas como Peter Jackson está com as costas quentes e o diretor causou uma grande impressão no cara, Peter resolveu fazer um longa a partir da historia daquele curta e foi assim que surgiu esse filme. Logo Hollywood de alguma maneira continua mantendo os filmes atualmente como baseados em alguma outra coisa ( remakes, em livros, em quadrinhos, em jogo, vocês escolham... ).

 

Deixando a historia de lado, vamos ao filme em si.
O filme é montado como se fosse um documentário, ou seja, o que está sendo mostrado está no passado, isso pode até causar uma estranheza em quem assiste, mas acrescenta um toque original no argumento. A historia começa com a chegada de uma grande nave espacial quilométrica que por algum motivo desconhecido para sobre a cidade de Joanesburgo, África do Sul. Acontece toda aquela comoção da população a chegada de uma nave espacial com um tamanho destes, porem mais nada acontece. Após alguns dias, o exercito acaba invadindo a nave e encontra dentro dela um grupo de 1 milhão de alienígenas.
Sem saber o que fazer com eles o governo criou uma área dentro da cidade e isolou eles neste local.
O tal distrito 9 do titulo.
Rapidamente o local se transformou em uma grande favela e como em toda favela que conhecemos, os problemas associados começaram a aparecer : trafico, grupos armados, roubos e toda a violência associada.
Após 20 anos, o governo perdeu o controle da população do local e grupos de nigerianos traficantes se alojaram no local. Porem a presença dos alienígenas, pejorativamente chamados de camarões por causa da aparência deles, transformou-se em um grande fardo para a população e o governo local decidiu que toda aquela população deveria ser transferida para um novo local, o distrito 10, a 200 kms da cidade.
Neste momento é que surge nosso personagem principal Wikus Van De Merwe, ele é o responsável pelo trabalho de iniciar o processo de relocação dos alienígenas, trabalhando para a MNU, a agencia que “cuida” do controle e dos “direitos” dos alienígenas, que são “solicitados” a assinarem uma ficha “concordando” com a troca de local ( vocês entendem a ironia das palavras com aspas anteriores né? ). Para isso ele conta com o apoio militar de mercenários armados.
Ao entrar em um dos barracos dos alienígenas, ele acidentalmente é contaminado com um liquido que estava sendo colhido e processado pelo alienígena que vivia lá e, é assim que começam os problemas dele. Ele passa ser de interesse da empresa, por conseqüência dos mercenários contratados, daquele alienígena e dos nigerianos.
Eu poderia falar muito mais da historia aqui porem iria entregar muito do filme.
E devo dizer uma coisa, esse filme é um dos mais interessantes do ano, pois tem muita coisa alem da historia básica.
A começar pela escolha do local aonde a nave chegou. Todos que tem um pouco mais de idade que nem eu, sabe como era a segregação racial na África do Sul, com todo o Apartheid e o controle dos negros. Agora, o diretor fez um paralelo critico com a situação dos alienígenas, os mesmos não tem direitos, são tratados com desprezo e somente tem serventia a interesses econômicos/militares.
Ao assistir ao filme, o mesmo nos faz pensar. Ao ver o que acontece ao personagem principal a sensação que fica é a de vergonha por ser humano e uma simpatia grande com os alienígenas e rapidamente passamos a torcer contra nós mesmos.
Há alguns clichês que são facilmente reconhecidos por aqueles que já possuem uma bagagem cinematográfica media e o ritmo do filme muda do meio para o final, mas nada que arranhe o brilho da produção pois um filme que me faz pensar alem do que é mostrado na tela sobe muito no meu conceito.
Para quem não o assistiu eu aconselho que o faça.

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People in this conversation

  • Guest - Chanceller Martok (Alexandro Paulo)

    Ainda não vi esse filme. Mas só pelo inicio da sua resenha já pude perceber que a propaganda feita a cerca do filme é totalmente o contrário do que o enredo conta. Não são os humanos os segregados e sim os alienígenas. Não tinha dado muita atenção pra esse filme, mas agora me atiçou a curiosidade. Vou dar uma olhada e comentar aqui.

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  • Guest - Findreans ( Eduardo Castelhano )

    A campanha publicitaria do filme tem algumas tiradas que levam a acreditar que os alienigenas que fazem segregação mesmo... eu nem imagino o porque, se fora um erro de contexto ou se foi proposital. Olhando para o proprio cartaz do filme fica essa impressão...

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  • Guest - Chanceller Martok (Alexandro Paulo)

    Bom, acho que foi de propósito mesmo. O primeiro mercado que Hollywood tenta atingir é sempre o americano. Todas as campanhas publicitárias são voltadas para eles. Talvez se tivessem feito a propaganda de acordo com a mensagem do filme, os americanos não se interessassem tanto por ele. Esse tipo de assunto ainda é um tabu por lá. Só pelo inicio da sua resenha já podemos perceber várias analogias, com sutuações reais, e muitas delas causadas pelos próprios americanos e europeus. Provavelmente os eventos do filme ocorrerem e Joanesburgo não deve ter sido por um mero acaso.

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  • Guest - Armus

    Se eu me lembro bem, esses cartazes da campanha publicitária aparecem no próprio filme e não eram nenhuma forma de segregar os humanos. Eram cartazes que alertavam os humanos a não entrarem na zona dos alienígenas pq o governo não podia garantir a segurança deles (os humanos). Acho que o jeito que foi feito foi uma jogada de mestre publicitário para aumentar a curiosidade das pessoas acerca desse filme.

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  • Guest - Bruno

    Acho que o filme foi uma idéia muito boa, mas mal executada. Assim como o novo Indiana Jones, os dois primeiros atos do filme foram extremamente interessantes:
    - uma sociedade alien na terra
    - aliens sofrendo preconceito e virando guetos
    - a doença do humano que muda o DNA
    - o relacionamento dele com o mundo após a doença
    Agora o final foi muito fraco. O filme mudou e virou transformers... o cara numa armadura atirando para todo lado numa estória de ação muito simples. Parecia um misto de Transformers com Rambo e para mim isso estragou o filme. Deveriam ter pensado mais um ano em como acabar o filme de forma inteligente.

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  • Guest - Antonio rodrigues

    Os produtores deste filme estão de parabens pelo trabalho em si. Sonhamos o tempo todo com vida fora da terra e um dia podermos ser visitados por eles. Neste filme, eles existem, nos visitaram e nós os isolamos num local longe dos humanos. O que vai acontecer quando eles realmente aparecerem?

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  • Guest - Findreans ( Eduardo Castelhano )

    Bruno
    Eu concordo com o que voce colocou. Foi o que quiz dizer com a mudança do ritmo do filme do meio para o final, fica a impressão que são dois filmes diferentes, inclusive fica contrastante com a ideia do documentário que eles fizeram no argumento. Mas preferi não citar isso, porque acabaria falando demais do filme na resenha.

    Antonio
    Sempre achei que se alienigenas aparececem por aqui ou iriam ser atacados ou capturados para virar experiencia. Sendo assim, acho que não seria muito animador para eles aparecerem... :)

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  • Guest - Chanceller Martok (Alexandro Paulo)

    Sem dúvida esse foi um dos melhores filmes que já vi, os seus autores simplesmente pegaram um espelho e nos mostraram a nossa verdadeira face. Nos deram uma prova de que não evoluímos e nos mostra o quanto somos preconceituosos.
    Preconceito, essa é a primeira coisa que devemos vencer para gostar desse filme. Logo de cara temos um impacto, pois a aparência dos alienígenas é aterradora. É dificil não olhar pra eles e sentir um nojo ou uma repulsa. São perfeitos, digo seu efeito especial é perfeito. Eles se movem dando uma sensação de peso que dificilmente vemos em efeitos especiais desse tipo. Sua fisiologia incetóide seus trejeitos e sua línguagem e expressões são extremamente convincentes. Acho bem difícil que uma mulher consiga gostar desse filme, pois incetos geralmente são mais aterrorizantes pra elas do que podemos imaginar.
    Os conflitos etnicos, sociais, econômicos e muito mais estão lá. Apesar dos alienígenas serem os oprimidos, o filme fala sobre a humanidade, tudo o que está lá aconteceu, acontece e acontecerá enquanto a humanidade andar sobre a Terra. Sim você entendeu certo, seu interlocutor aqui não tem mais esperanças de que algo mude já que fazemos isso desde que aprendemos a andar com duas pernas.
    O filme tem alguns furos, eu não entendo porque os alienígenas não se rebelaram mesmo alguns deles possuindo acesso a armas. De um milhão de seres com certeza algumas centenas já teriam começado uma rebelião. Também não entendi porque se o tal "Christopher" tinha todo aquele conhecimento não tinham outros apoiando a sua causa. Os alienigenas pareceram desorganizados demais para uma civilização capaz de viagens espaciais. Deveriam ter mais líderes capazes de organizar o grupo alienígena e descobrir um modo de reativar a nave mãe.
    Esse filme termina de um jeito que permite continuações. Há tanta coisa pra falar e tantas questões que ainda podem ser abordadas que tem espaço até pra fazer um seriado com várias temporadas. Imagino que o custo como efeito especial dos alienígenas seria tão alto que provavelmente inviabilizaria o projeto. Entretanto gostaria de ver uma continuação disso com a mesma equipe criativa, que provavelmente manteria o mesmo nível de estória.
    Esse filme deveria ser visto e revisto, e mais um daqueles que nos faz refletir. Sem eufemismos, nos mostrando a verdadeira face da humanidade.

    PS: Depois de tudo que os roteristas nos jogaram na cara tinha que ter uma açãozinha pra aliviar a trizteza né? Deem um desconto.

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