Resenha de Filme: Star Wars Rogue One

Ao ver Rogue One, tive uma mistura de sentimentos. Ele é bem melhor do que o Despertar da Força, trouxe detalhes novos para o universo Star Wars, mas mesmo que de uma maneira geral eu tenha gostado, mudaria várias coisas. Seguem minhas impressões sobre o filme. Novamente é um testo longo, reserve um tempo para ler e ponderar e só aconselho continuar no caso de já ter assistido.

Quando surgiram rumores sobre o tema do filme, não levei muito a sério. Depois que foi revelado que seria sobre obter os planos da Estrela da Morte, eu esperava algo totalmente diferente do que os trailers, imagens e propagandas mostravam. O que me levou a mais desconfiança e à decisão de não comparecer aos cinemas, afinal não tá fácil pra ninguém. Mas analisando o que vi, foi uma surpresa boa. Primeiro vou comentar sobre o roteiro do filme e ao final vou falar sobre o que eu esperava, como fã.

A sinópse, ou toda a base que foi usada para a criação do roteiro para Rogue One está no inicio do Episódio IV, filmado em 77 e depois rebatizado de Uma nova Esperança. Ela fala que após uma batalha os rebeldes conseguiram colocar as mãos nos planos da estrela da morte e outras informações que servem de base para a cena em que Vader invade a nave da Leia.

A história de Rogue One começa num planeta que a primeira vista parece agrícola, onde começamos a conhecer a personagem principal do filme. Tudo até o final é baseado nessa cena e a sucessão de eventos funciona através dos personagens dela. Jyn, Galen e Krennic são a espinha dorsal do roteiro, os demais são para apoiar as cenas e o desenrolar até o final.

As coisas estavam indo muito bem até a principal discordância com o roteiro do filme. Talvez os mais novos não tenham ideia disso e muita gente mais velha também não. Quando você trabalha num projeto que tenha que construir qualquer coisa, seja ela virtual ou real, você tem que “desenhar” um documento que mostre às pessoas qual a sua solução ou proposta para aquilo. Isso acontece em qualquer área e é totalmente indispensável. Entre outras coisas, vai servir como guia para o próprio arquiteto ou idealizador do projeto, de como tudo deve seguir. Dito isso, é totalmente improvável que ao desenvolver ou construir uma coisa, o construtor ou arquiteto não mantenha consigo uma cópia desse documento, o que nos leva ao principal problema da história, apesar da mensagem ser comovente, não consigo engolir que Galen depois de tudo que fez, mandando um dispositivo eletrônico para Saw Gerrera, não tenha enviado as informações que os rebeldes tinham que saber, nem precisava de todos os esquemas da estação, somente a falha que ele plantou deliberadamente, o detalhe que eu mais gostei no filme por ser uma explicação que Lucas ficou nos devendo.

O parágrafo acima deve ter feito muitos revirarem os olhos, mas não é simples preciosismo. Ao levar isso em conta, o filme mudaria totalmente a partir daí. A começar pela cena da fortaleza em Jedha. Após ver todo o conteúdo da mensagem Saw Gerrera se daria conta que era genuína, uma estação de batalha daquele tamanho seria uma boa explicação para a quantidade de minério que os Imperiais levavam do planeta, aquele clima de desconfiança acabaria e o dispositivo não teria se perdido na explosão da cidade. Uma coisa é não entregar a mensagem do pai para a filha, outra coisa é isso não acontecer quando o dispositivo contém os planos da Estrela da Morte. O piloto do cargueiro não precisaria passar pelos tentáculos daquele bicho estranho, outras cenas e diálogos desnecessários como esse não existiriam.

Ao ignorar esse detalhe, o filme segue, e acerta mais que erra, embora várias coisas eu teria feito de forma diferente se tivesse a oportunidade. Como já disse antes, tornar a falha de projeto da Estrela da Morte algo proposital foi a melhor coisa do filme. O apoio rebelde e a batalha final foram muito bons. Quando a frota aparece para ajudar o grupo no planeta dá arrepio.

Se eu sou um espião, resgato alguém que para mim é uma criminosa, cujo pai eu conheço como um renomado cientista que trabalha para o império, para onde devo levar essa pessoa? Para o quartel general secreto da Rebelião? Vader nem precisaria de todo o engodo para saber a localização através nave do Solo, se tivesse encontrado Cassian ou ao seu androide. Isso tudo porque tinha que ter a referência icônica, os roteiristas acharam que os personagens e a base tinham que aparecer para o espectador fazer a conexão com o primeiro filme.

Tarkin está diferente. No episódio IV durante a reunião com o seu estado maior na Estrela da Morte, fica bem clara ali sua autoridade. A ordem direta a Vader, para que solte a garganta apertada de um antagonista político com o uso da força, não deixa margem de dúvidas. O que falar de sua sobriedade durante o ataque rebelde, levando-o à morte depois de sua decisão de não deixar a estação? Então não consigo vê-lo pressionar Krennic com o clichê, “eu vou contar ao Imperador”. Ele o faria por si, com ameaças num tom bem mais calmo, sombrio e não fazendo expressões e falando num tom de raiva.

As vezes os roteiristas continuam o que está errado, podendo melhorar. Depois de vários livros tentarem explicar como as melhores tropas imperiais perderam para os Ewoks, esse filme volta tudo à estaca zero. Porque eu uso armadura pesada e desconfortável, se alguém com um bastão pode facilmente me nocautear? Porque eu vou sair de um elevador ou de um transporte até o meio de um tiroteio de pé de peito aberto, se minha armadura não me protege dos tiros?

Se conseguem fazer todas aquelas coisas, onde estavam os E-Wing na batalha de Yavin? Fabricaram só uns dez? Jogaram os demais fora? Sei da necessidade de cada filme ter seus bonecos e brinquedos particulares. Desse jeito cada filme tem o seu “merchã”, mas realmente deve se ignorar totalmente se isso é ou não coerente em termos criativos?

Lembro-me do jogo Battlefront, e outro jogo antigo que agora me fugiu o nome, porque joguei muitos, o sacrifício que era na batalha de Hoth para pilotar o caça em torno dos ATATs para derruba-los e todas aquelas horas de tentatva erro e acerto. Imagino que se isso apareceu no Império Contra Ataca, porque era a melhor tática com os recursos que os rebeldes dispunham no momento. Isso tudo cai por terra quando vemos os X-Wings destruindo os ATATs, na batalha final. Não quero acreditar que os rebeldes não tinham nenhum desses caças na base rebelde em Hoth.

Quando fazemos um roteiro, geralmente pensamos em linhas gerais como ele vai ser. Eu costumo pensar num inicio e num fim e vou desenvolvendo até ligar os dois pontos. Nesse caso o roteirista tinha a sinópse pronta do Episódio IV e tinha que desenvolver em cima disso. Então eles provavelmente tiveram as ideias e resolvendo as dificuldades que tinham ao longo das filmagens. Presumo isso, porque se tudo tivesse sido planejado e os três primeiros filmes usados como referência não teríamos essas coisas que citei acima. Alguns dos meus amigos reclamam de que eu não deveria levar tão a sério e não encarar, usando um termo que um deles me falou, os três primeiros filmes como a “Bíblia”. Mas eu não consigo pensar neles como referência no momento em que Rogue One se propôe a continuar o universo. O RPG é minha principal escola no tocante a roteiros, se eu tivesse apresentado este em nossas partidas, eles reclamariam das mesmas coisas que eu, mas no filme isso é livre e eu sou preciosista e ranzinza. Engraçado como é o imaginário das pessoas.

Se eu partisse da mesma premissa que os roteiristas, o piloto do cargueiro seria um espião rebelde logo de cara, onde usaria o disfarce para coletar informações. Ele descobriria que Galen gostaria de mudar de lado e que em troca de informações os Rebeldes deveriam encontrar sua filha. Então a parte de aventura que deve existir em todo filme de Star Wars seria em torno de acha-la e resgata-la do submundo galáctico ou de ser presa pelos Imperiais por algum crime que tenha cometido.

O piloto do cargueiro seria preso por ter sido desmascarado, por seu contato com a Rebelião e Cassian seria o intermediário entre Jyn e Organa. Esse diálogo mostraria tudo que está em jogo e todo o discurso conclamando a aliança rebelde a fazer alguma coisa, seria feita por Bail Organa, um bom personagem que foi trazido apenas para figuração e teria uma função melhor no filme. A batalha final se daria na base imperial onde está Galen. Não faz sentido algum a ideia de uma biblioteca ser destruída daquela maneira. Ao perder o contato com o piloto do cargueiro Mothma e Organa dariam conta da urgência do momento e montariam a operação. Cassian seria voluntário para se infiltrar na base e Jyn entraria no grupo pela possibilidade de rever seu pai depois de tantos anos.

Outro personagem trazido como figuração, por não fazer nada imprescindível ganharia um papel especial. Rogue One poderia ter sido a coroação de Vader, tentaria fazer algo tão marcante quanto o Império Contra-Ataca. Ele conduziria a reação do Império à descoberta que o piloto do cargueiro era na verdade um espião. Comandaria as tropas de defesa da base imperial, e rastrearia a transmissão até a nave da Leia fora do sistema, terminando no Episódio IV. Também incluiria a cena em que ele entra em combate pessoalmente tão comemorada pelos fãs, mas no final o Lorde não conseguiria impedir a transmissão, mas descobriria para onde ela foi, já que teria matado todos na ponte da nave captanea rebelde.

E você? O que achou? Peço que tenha mente aberta com este que vos escreve. Só critíco o que eu quero que melhore. Dê sua opinião! Comente!

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