Resenha de filme : PASSAGEIROS

Passageiros capaFilme que parte de uma premissa bem básica mas se favorece de um design bem realizado e um roteiro bem competente.

 

O filme começa mostrando a espaçonave Avalon da empresa Homestead que está em uma viagem de 120 anos de duração para o planeta colônia chamado Homestead II, um planeta que se parece com a Terra no passado. Nesta nave estão presentes 274 tripulantes e 5000 passageiros, todos em estado de hibernação. A nave segue uma trajetória automatizada no qual, os acertos do trajeto, os reparos na nave e as correções nos sistemas são todas realizadas pela própria nave sem intervenção humana.

 

Durante a viagem, a nave entra em um cinturão de asteroides, sendo que os mesmos são destruídos por um escudo que fica na parte frontal da nave. O sistema automático redirecionou a energia da nave para fortalecer o escudo e a nave passou pelo cinturão sofrendo poucos impactos. Alguns sistemas que indicaram falha foram automaticamente recuperados e a nave continuou no seu curso previsto.

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A nave Avalon

Um tempo depois, em uma das áreas dos passageiros em hibernação, uma das cápsulas de hibernação fora acionada, efetuando os procedimentos para acordar o seu usuário. Este se chama Jim Preston e é engenheiro mecânico. Ele recebe a localização de sua acomodação na nave e que seu acesso aos locais e serviços são restritas conforme sua classificação dentro dos passageiros e o seu acesso é liberado através de uma pulseira. A empolgação inicial dura pouco quando Jim percebe que é o único que está acordado na nave e, piorando sua situação, ele acordou 90 anos antes do que deveria.

Passa a tentar resolver sua situação na nave, porém o seu acesso restrito lhe impede de entrar na sala de comando da nave que está lacrada, com uma porta blindada que é resistente a qualquer ferramenta disponível na nave. Além disso, não há como Jim voltar a câmara de hibernação. A única companhia que Jim tem na nave são os sistemas computadorizados, alguns poucos robôs e um androide que tem a função de barman e segue a programação própria de sua função.

Mesmo utilizando as comodidades da nave no qual ele tem acesso, Jim passa a estudar os sistemas existentes e passa a burlar alguns acessos, usando acomodações de classe superior e até os restaurantes mais elegantes da nave.

Após quase um ano estando sozinho, ele vê uma mulher chamada Aurora em uma das câmaras de hibernação e decide saber mais sobre sua vida, descobrindo que a mesma é escritora e tornando cada vez mais interessado pela mesma, ele passa muito tempo decidindo se acorda a mesma ou não, uma vez que acordá-la seria condená-la a não terminar a viagem, assim como ele. Tomando a decisão de acordá-la, ele aprende como poderia fazê-lo e aciona a câmara de hibernação dela, fazendo que ela acorde, mas sem revelar ou demonstrar que ele fora responsável pelo despertar de Aurora.

Enquanto isso, neste tempo, os sistemas da nave vão gradativamente apresentando falhas  que o sistema de correção automática não está corrigindo, pondo a nave em risco.

 

ATENÇÃO POSSIVEIS SPOILERS ADIANTE.

 

Esse é um filme que eu esperava menos quando fui assistir. Tinha uma impressão de que seria um filme mais voltado para a questão visual e que não teria um roteiro mais elaborado. Ainda bem que estava errado. O visual está lá claro, os efeitos especiais são competentes, mas o maior destaque é o design do interior e da própria nave.

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Passeio no espaço? Demorou...

 

A visão mais comum que temos de naves espaciais é aquela ideia de que os ambientes internos da nave são locais escuros e bastante insalubres. Eu costumo chamar isso de efeito Alien, devido ao filme de mesmo nome. Naquele caso, a nave era uma nave mineradora e devido a natureza daquele filme, esse visual fazia sentido, mas começa a ficar estranho que naves que carreguem passageiros tenham esse tipo de design. Um design que é justamente péssimo para transportar qualquer passageiro. Neste caso na Avalon, os passageiros e a tripulação viajam em hibernação pelo período de 120 anos, no entanto, eles seriam automaticamente acordados quando estivessem faltando 4 meses no caso da tripulação e 3 meses para os passageiros. Sendo assim, a nave tem que ser adequada para essa população enorme que vai ficar neste período convivendo dentro da mesma e o que podemos no filme ver são vários restaurantes, com visuais e atendimentos diferenciados, piscina, quadra de esportes, sala de projeção, acomodações com diversos níveis de qualidade, etc. Tudo isso com gravidade na nave e com separação de acesso conforme a classificação do habitante. Tudo com visual e experiência equivalente a um navio de cruzeiro de luxo. Muito mais coerente com uma nave de passageiros.

Quanto ao roteiro, o mesmo parte de uma premissa que nem é tão original, a da pessoa que acordou antes do que deveria e como ela lida com esse problema e no entanto, o desenvolvimento da situação é bem elaborada. Utilizando de pequenos momentos de humor a situação dramática é aliviada e a passagem do tempo no filme é bem sutil, sendo indicada indiretamente por momentos no qual fica implícito que o tempo teria passado, como por exemplo na quantidade de objetos utilizados na tentativa de abrir a porta da sala de comando da nave ou na quantidade de sujeira deixada na cama e principalmente, no avanço da barba no rosto do personagem. Isso também fora refletido no conhecimento do personagem nos sistemas da nave, já que o mesmo tem tempo disponível e também acesso aos manuais necessários, aliado ao detalhe de que é um engenheiro. Uma das sacadas do roteiro é o detalhe de que a liberação de acesso aos locais e também aos serviços, neste caso é limitada porque o personagem tem nível de acesso muito baixo e o mesmo contorna várias dessas restrições e além de tudo, a impossibilidade de voltar a câmara de hibernação fica bem esclarecida no roteiro. Também a sutileza referente aos problemas que foram surgindo foram bem dosados para não aparecerem muitos antes do tempo.

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A hora quando se percebe que a coisa está realmente terrível...

Muitos dos detalhes e do passado dos personagens são esclarecidos em conversas que não fazem o filme ficar monótono devido a qualidade dos diálogos. Há uns pequenos deslizes que não são exatamente escancarados e não impactam a qualidade do roteiro, sendo que um deles até tem a função dentro da argumentação ( o detalhe de só existir uma única maca automática na enfermaria, não posso exemplificar o motivo para não mandar um spoiler muito destrutivo ).

No geral é um filme muito bom e merecia uma atenção maior. Teve uma campanha meio apagada e talvez por isso, não tenha chamado a atenção dos possíveis expectadores. Pode agradar até aqueles que preferem mais ação.

 

O estranho é o aparecimento do ator Andy Garcia no filme que é tão sutil, que fiquei até em dúvida se era ele mesmo. O que me faz querer saber o quanto ele deve ter recebido por isso... J

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Guest - Ogro
Fala, Chança!!!! Gostei do texto... Essa é uma das poucas estórias do Super que eu curto. Um grand...
Imaginava que Batman e Superman ganharia vários prêmios. Desanimei completamente de escrever uma res...
Também tive dificuldade de escrever essa resenha sem estragar as surpresas que o filme traz. Levei u...
Bom que você tenha escrito essa resenha. Eu fiquei pensando nela a muito tempo porque é um daqueles ...

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