Comentando Meme de Resenha do Império Contra Ataca

Segue uma análise do texto publicado em 1980 na revista Manchete, revivido nessa foto, por alguém que resolveu coloca-la na internet. Clique aqui para ler a resenha. Não é essa piada toda que as pessoas querem fazer parecer.

Sempre que posso eu procuro colocar minhas convicções em cheque. Leio opiniões divergentes da minha para tentar entender outras posições e linhas de pensamento. Me deparei com essa foto num grupo de Watsapp que me acertou em cheio. Uma série de perguntas vieram à minha cabeça. O que levou o colunista a escrever esse texto? Houve ou não exagero da parte dele? Afinal Império Contra Ataca fez muito sucesso e os seus sucessores também. O que eu posso tirar disso em relação às minhas resenhas?

Nessa época Lucas quebrou vários paradigmas. Lançou um filme no verão, criou as séries cinematográficas e idealizou um filme que explorou como nunca as vendas de produtos e o marketing. Essa nova perspectiva deve ter causado um certo furor em várias pessoas da época, entre elas o resenhista.

Ele se refere à força como esoterismo e à tecnologia de Star Wars como coisa de fliperama, com certeza uma referência ao sabre de luz. Engraçado, porque todos os roteiros que li da FC Pulp, gênero ao qual pertencia Flash Gordon citado pelo resenhista, possuíam vários aspectos desconectados da ciência real. O cientista louco que construía máquinas maravilhosas como mágica e a criação de várias dessas invenções não tinham nenhuma influência nas pessoas ao redor nem na sociedade. Esse tipo de coisa também é muito presente nos quadrinhos de super-heróis. O primeiro seriado que começou a usar ciência real como referência e embasamento na TV foi Jornada nas Estrelas, seguindo uma corrente que há havia na FC. Dito isso me estranha o autor não se adaptar à proposta apresentada pelo Lucas no tocante à tecnologia.

Mas ele não está errado em tudo o que disse. Star Wars é uma aventura, em que as o conjunto de circunstâncias acabam tornando-se maior que os personagens, em outras palavras, eles são levados pela história e não o contrário. O clichê do escolhido, do destino te trazer um fardo do qual não pode recusar e que esse mesmo destino o ajudaria a triunfar, pode ter frustrado o resenhista. Não sei a origem do Flash Gordon, mas se comparado com Luke, Leia e solo, Gordon teve muito mais tempo para ser desenvolvido. Ele já tinha as rédeas das suas histórias, em outras palavras, o desfecho se dava necessariamente em consequência às suas atitudes erros e acertos.

Mas o que quero dizer com isso. Antes de mais nada eu sou um grande fã de Star Wars, mesmo assim reconheço que há algumas falhas. Em alguns momentos as cenas não dão a impressão clara que bastante tempo passou. Dois exemplos disso, a viagem da Falcon de Tatoine, onde Luke cresceu, até Alderan, planeta da princesa Leia e o tempo em que Luke treinando em Dagobah com o Yoda. Analisando friamente, essa sensação de que essas cenas se passam em dias, quando deveriam ser semanas ou meses, dão a impressão que Luke e nenhum outro precisa de um treinamento para usar a força e que ser o escolhido já basta. Passou a ideia ao resenhista de que o esoterismo, o sobrenatural ou o divino na verdade são os grandes protagonistas em Star Wars. O último filme corrobora completamente essa visão. Ray dá aulas de pilotagem da Falcon para Solo e derrota Ren usando a mente e a espada sem nenhum treinamento. Não só para os roteiristas mas para a maioria dos fãs só a força existir já basta para que todos os problemas de roteiro sejam resolvidos e o mal seja derrotado.

Para a nossa felicidade as previsões do resenhista não se confirmaram. Entretanto entendo alguns dos seus pontos de vista. Afinal ele estava acostumado a roteiros com personagens fortes, que conduziam as histórias e a filmes que tinham um desfecho quando terminavam. Gostaria de vê-lo resenhando filmes hoje. Perto de alguns, O Império Contra Ataca está a anos luz melhor, mesmo em termos de roteiro. Nem se imaginava que filmes muito piores seriam produzidos com orçamentos muito mais caros.

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  • Guest - Ogro

    Chança, você esqueceu de dizer que nessa época, início dos anos 80, os críticos de cinema no Brasil eram chatos pacaray! Só elogiavam filmes com viés intelectual...

    Normalmente filmes no estilo \"blockbuster\" tinham críticas avassaladoras...

    Me lembro que eu sempre gostava de ver os filmes em que o bonequinho do jornal \"O Globo\" estava sentado ou deitado...

    Abração do Ogro!!!!

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Guest - Romildo lima
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